Siga bem caminhoneira

A primeira piloto mulher da Fórmula Truck

Débora Rodrigues é a personalidade entrevistada dessa edição, uma mulher que enfrentou um universo predominantemente masculino e conseguiu se consagrar na Formula Truck, a corrida dos caminhões. Depois de 18 anos na categoria, ela conta como foi difícil conseguir adentrar nesse meio e como consegue lidar com as piadinhas de mau gosto.

Automais: Débora, você já passou por alguma saia justa ou problemas com os homens nesse meio?

Débora Rodrigues: Na verdade desde o início. Para eu ingressar na Formula Truck tive que brigar muito, tive que entrar na Confederação Brasileira de Automobilismo para ter o direito de participar da Formula Truck, isso há 18 anos! Depois disso, acabei me acostumando, mas ninguém quer ser ultrapassado por mim, por uma mulher, para ter que aguentar “tiração de sarro” dos outros. Eu deixo na mão dos diretores e comissários de prova para verem se há atitude antidesportiva ou não.

 

Auto+: Você acha que as coisas já melhoraram ou esse universo continua machista?

DR: Ahh não, já melhorou sim. Com 18 anos na categoria, eu não estaria ali só por ter um rosto bonito e ser mulher, até porque já estou com 47 anos. Se hoje eu estou aqui é porque tenho resultado de pista, retorno para patrocinadores e outras coisas que qualquer outro piloto ali tem. Mas tem coisas que não tem jeito, quando você é uma minoria, sofre mesmo.

 

Auto+: Qual foi seu maior desafio nas pistas?

DR: Meu maior desafio é sempre o classificatório, quanto melhor eu me classificar, menos trabalho eu vou ter (risos), isso é óbvio e para qualquer um, mas no meu caso é um a mais, já que sempre tem as piadinhas a respeito de ser ultrapassado por uma mulher.

 

Auto+: Débora, você sempre fala sobre toda a sua infância vivida na boléia de um caminhão. Quando que você aprendeu a dirigir um?

DR: Eu era criança, na época era mais comum. Eu tava no Mato Grosso com meu pai, carregando arroz e ele estava muito cansado, era uma viagem muito cansativa porque era terra, lama, buraqueira. Ele ainda não sabia, mas eu já dirigia o carro dele escondido de quando ele ia viajar e deixava estacionado em casa. No fim eu aprendi sozinha, só olhando, ele sempre dizia que não ia me ensinar. Então nessa viagem ele me perguntou se eu sabia dirigir, eu para não perder a oportunidade disse que sim, essa foi a primeira vez que eu dirigi um caminhão, aos 12 anos de idade!

Auto+: por que você escolheu o número 7 para seu caminhão na Formula Truck?

DR: Foi por causa da Aparecida Liberato. A primeira vez que estive no programa do Gugu, ela era uma das convidadas para fazer meu estudo numerológico e o resultado foi o número 7.

Auto+: antes de qualquer corrida, você fica em cima da equipe que cuida do seu caminhão? Tem alguma exigência?

DR: Ultimamente eu estou mais light, porque com a dificuldade de patrocínio a gente vai do jeito que dá! A cor mesmo eu não gostava (rosa), mas com a insistência dos amigos e filhos acabei aceitando, até porque eu não gosto do Pink, o rosa até vai! Quando a gente ta na pista, que começa o treino na sexta, sábado é o classificatório para correr no domingo, ai sim, a equipe deve fazer do jeito que eu quero. Cada caminhão é acertado conforme o piloto, uns gostam de mais freio, outros não, etc… Então ali eu coloco tudo do meu gosto, mas o meu mecânico já está comigo há mais de dez anos, ele já conhece meu jeito e o que eu quero.

Auto+: o que fez você se interessar pela Formula Truck?

DR: Não foi nada programado, eu nunca pensei em ser piloto, primeiro por causa do custo, o automobilismo é um esporte muito caro. Também não tinha formação nenhuma, estava com 29 anos…quando eu era menina, eu queria ser de MotoCross, mas passou. Um dia eu e o Otávio Mesquita fomos convidados a participar de um programa do Gugu para uma pegadinha, onde eu seria um piloto de uma corrida maluca, eu seria a “Dick Vigarista”. Para passar os homens eu distribuía mulheres seminuas na pista, outras vestidas de ambulância, para os homens ficarem olhando e eu ganhar a corrida, tudo não passou de uma brincadeira, mas foi a primeira vez que eu acelerei um caminhão de Formula Truck. Depois, por coincidência, apareceu uma pessoa interessada em investir para eu correr, nem deu certo, mas depois eu conheci o Renato, meu marido, e entrei na equipe dele. Ele deu um super empurrão para que desse tudo certo.

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