Otávio Mesquita

Um jornalista apaixonado pelas pistas

As madrugadas são sempre mais animadas na companhia do apresentador Otávio Mesquita. Brincalhão, animado e dono de uma simpatia sem tamanho, o jornalista e apresentador tem também mais uma profissão: piloto. Otávio já passou por diversas categorias de automobilismo, como a Fórmula 200, Campeonato Fiat Uno, Copa Clio, Fórmula Espron BMW, Mil Milhas, Stock Car e, também, a Porsche Cup. Esta última, a categoria que corre até hoje. O apresentador concedeu uma entrevista divertidíssima para a Automais, contando suas histórias malucas nas pistas e como tudo começou! Confira!

Automais: Otávio, quando começou sua paixão pelas pistas?

Otávio Mesquita: Na verdade, minha paixão começou quando eu era moleque e tinha uns dez anos. Eu já queria ser piloto de Fórmula 1, eu e o mundo, né (risos)?! Mas eu era de uma família muito simples, obviamente não ia conseguir realizar meu sonho. Mas minha primeira relação com a corrida de Fórmula 1, foi nos anos 70. Meu pai tinha comprado uma bicicleta pra mim, daí eu vendi para conseguir assistir à corrida e ficar no hotel. Como eu morava em Guarulhos, era uma viagem para mim. Foi lá que eu vi Emerson Fittipaldi pela primeira vez e fiquei apaixonado por ele, um ídolo até hoje. Só que aí eu percebi que não ia conseguir realizar meu sonho do jeito que eu queria, pois não iria ter patrocínio. Então eu parti para o plano B, que era ser ‘famosinho’, e hoje eu transformei o sonho da minha vida em hobbie – eu transformei minha paixão pelo automobilismo.

AM: Quem é seu maior ídolo no automobilismo?

OM: Por ordem cronológica, eu diria: o Emerson Fittipaldi, a pessoa que é um ponto de referência para mim. Depois, obviamente, o Nelson Piquet, em seguida o Ayrton Senna. E hoje, os meus atuais amigos, o Felipe Massa e o Rubinho Barrichello, as pessoas que eu tenho mais contato.

AM: Otávio, como está sendo participar da Porsche Cup?

OM: As pessoas se surpreendem comigo, elas dizem: “Otávio, você está com 57 anos! Você está em 3º no campeonato a 12 ponto do 1º. Como você consegue?”. Daí eu respondo a diferença quando eles ganham e quando eu ganho: “quando vocês ganham, vocês vão para o pódio. Quando eu ganho, eu vou para o balão de oxigênio! (Risos). Mas eu procuro evitar batidas, não fico disputando freada, ou seja, eu tenho um ‘jeitão’ de fazer as pessoas errarem. Se o cara tá na minha frente, eu fico colado na bunda dele, quase encostando, porque uma hora ele vai acabar errando – e pode acontecer comigo também! Às vezes se o cara quer me passar, eu faço ele me passar num momento que ele pode tomar um ‘X’ de mim. Aí é uma questão de experiência.

AM: Você já participou de diversas categorias. Qual delas ficou mais marcada na sua memória?

OM: Foi uma das primeiras vitórias minhas. Quando eu conheci o Ayrton Senna, na década de 90, eu tinha uma relação boa com ele – não de tanta amizade, mas quando a gente se encontrava, era uma festa! E eu tava começando a correr de Fiat Uno e encontrei com ele e logo disse: “Senna, quando eu ganhar uma corrida, você vai prometer para mim que vai pegar meu troféu e levantar lá na pista!”. Daí ele disse: “O que? Nem ferrando!” (risos), mas ai ele disse que se eu ganhasse mesmo ele faria. Mas, infelizmente, ele morreu no ano seguinte. Eu fui ganhar uns dois anos depois na Porsche, e o troféu era a coisa mais importante, né?! Depois de um tempo, eu encontrei a Viviane Senna, irmã do Ayrton, e contei a história do que tinha acontecido e que ele nunca pode levantar meu troféu. Ela entendeu e me perguntou o que eu precisava, daí eu falei que queria meu troféu ao lado do dele e ela topou. Nossa senhora, quando eu a vi colocando o troféu lá, foi uma emoção muito foda!

AM: Otávio, nessa sua trajetória das pistas, já aconteceu alguma história maluca com você?

OM: Tem uma, quando eu corria de picape. Eu estava em 5º lugar e tava um atrás do outro, literalmente. Daí eu fui para 4º, depois 3º, fui para 2º, o 1º lugar vinha para o 3º - foi essa confusão por umas dez voltas. Daí, quando eu tava em 3º lugar, a minha bomba de gasolina pifou. Bem na subida do box de Interlagos. Aí eu parei bem na esquina e vi que eles ainda estavam grudados um na bunda do outro. Eles começaram a passar por mim dando ‘tchauzinho’ na subida, um bando de maluco (risos). Na volta seguinte, quando eles estava subindo, eu peguei e tirei o macacão e fiz um ‘bundalelê’ pra eles (risos). Mas literalmente, baixei a cueca e mostrei tudo mesmo! (Risos). Quando eu vi, eles estavam todos rindo e começaram a se distanciar, perderam a concentração, foi muito louco!

AM: Atualmente, qual piloto brasileiro você acha que merece maior atenção da mídia?

OM: Olha, tem um piloto que eu acho que tá muito bom, que é o Chris Hahn de Fórmula 3, acho que ele pode crescer muito, mesmo com apenas 19 anos. O filho do Emerson, o Pietro, que é pequeninho, tá indo muito bem também! Outro que pode crescer muito se mudar de equipe é o Felipe Nasr, esse pode dar muito trabalho!

AM: Qual é a maior dificuldade dos pilotos brasileiros, na sua opinião?

OM: O país tá numa ‘merda’ geral. A falta de incentivo é muito grande e atrapalha muito. Outro problema é a falta de divulgação das corridas. O automobilismo é o segundo esporte mais querido dos brasileiros e não ganha destaque. 

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