Edo Rocha

“A arte inspira a arquitetura e a arquitetura inspira movimentos artísticos.”

Mais de mil projetos assinados e mais de 15 milhões de m² projetados em 40 anos de carreira – esse é o balanço do currículo de Edo Rocha, diretor presidente da Edo Rocha Arquitetura. Além de seu sucesso como arquiteto e urbanista, o profissional ainda acumula outras funções artísticas e recentemente lançou um livro intitulado “O Conforto na Arquitetura e no Design”.

Entre seus principais projetos estão a renovação do estádio do clube de Futebol Palmeiras, o Allianz Parque; o resort Desert Rose, em Dubai; o projeto de solução de requalificação urbana na capital paulista, o SPTrens; a sede da Vivo, na mesma cidade; o Centro Empresarial Senado, no Rio de Janeiro (RJ); e, mais recente, o edifício do Bradesco Seguros, em Alphaville (SP). Além dos prédios da Rede Globo e da Rede Record, em São Paulo, capital; e o premiado projeto do WTorres Nações Unidas, entre muitos outros.

 

DecorArq - Arquiteto, urbanista, artista plástico, escultor e fotógrafo. Ufa! O que veio primeiro em sua vida e como “uma coisa puxou a outra”?

Edo Rocha - Ufa, mesmo! Preciso de muito fôlego para produzir tudo isso. Na verdade é difícil coordenar todas as vontades. Comecei pelas artes plásticas aos 13 anos. Mexer com arte é inegavelmente um primeiro passo para gostar de arquitetura. Mas nem todos os artistas ou arquitetos conseguem manter as duas atividades.
 

DQ - A arte e a arquitetura estão inegavelmente entrelaçadas. Como você aplica seus conhecimentos artísticos nos projetos arquitetônicos?

ER - A arte é um grande exercício criativo, que serve como inspiração estética e provocação para a arquitetura. No entanto, enquanto a arte é simplesmente uma atitude criativa entre você e a obra, sem limites nem obrigações e existindo apenas para emocionar as pessoas. A arquitetura tem a função de levar conforto e abrigar o ser humano. Caso a arquitetura seja uma escultura, por exemplo, ela tem apenas a chance de satisfazer o ego do criador, obrigando o usuário a se martirizar com o resultado.

 

DQ - Falando das artes e dos sentimentos que elas nos traz, lembrei da nossa paixão nacional, o futebol. Como foi a reforma ou, por que não dizer, criação da nova arena do Palmeiras, o Allianz Parque?

ER - Eu nunca tinha feito um projeto de estádio. Pegamos algo que já tinha um começo. Porém, fomos mudando e lapidando até chegarmos ao resultado final. A ideia era de projetarmos um espaço acolhedor e para isso nos inspiramos em um cesto de vime – o que pode ser observado quando se olha o estádio por fora. E acredito que seja este acolhimento que as pessoas sentem quando estão dentro da arena, que, diferente de outras, tem a acústica e a parte visual estética intimamente integradas.

 

DQ - Você recentemente publicou um livro chamado “O Conforto na Arquitetura e no Design”. Fale-nos um pouco sobre ele.

ER - Falar um pouco é muito difícil, pois o projeto que era para ser apenas um artigo, virou um livro de 300 páginas. O conforto é algo extremamente subjetivo, que se classifica em três níveis: físico, psicológico e espiritual. No livro, trato apenas da parte física, a arquitetura, pois é impossível falar sobre tudo. Meu principal objetivo é mostrar para todos os públicos, não só para arquitetos, o caminho para se chegar à uma solução arquitetônica. O envolvimento de todos os sentidos; as tecnologias e seus desenvolvimentos através do tempo; as preocupações atuais com a geração e preservação de energia, não somente a física como também a humana. Mostrar como a arquitetura é uma “roupa maior”, que nos protege, acolhe, envolve, influencia no comportamento e deve ser, na medida de cada necessidade, funcional e extremamente confortável.

 

DQ - Para um arquiteto que está começando sua carreira, quais são as maiores dificuldades a serem superadas e o que é preciso para ser um bom profissional?

ER - Muita inspiração, transpiração, saber ver e ouvir, entender os sentidos, ter a completa percepção do espaço, compreender o zoneamento lógico e ter uma bom conhecimento de tecnologia. A arquitetura é a atitude estética e criativa em função do homem usando a tecnologia, preservando e respeitando o meio-ambiente.

 

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