Casa “Figital”: morar inteligente e hiperconectado

Estudo divulga as megatendências do morar para os próximos anos

“Eu acho que essa é a forma do que está por vir: design invisível, onde as coisas magicamente acontecem a minha volta”
Yves Béhar, designer                                                                           

Imagine acordar serenamente, enquanto uma luz de humor simula lentamente o amanhecer e suas músicas favoritas começam a tocar em uma playlist personalizada no Spotify. Enquanto isso, o cheiro de café emana da cozinha. Tudo o que você precisa fazer antes de se levantar é verificar a previsão do tempo, as notícias de trânsito, reservar um Uber, regular a temperatura no apartamento e ligar as luzes do banheiro.                       

Agora imagine ser capaz de fazer tudo isso sem levantar da cama, sem precisar da ajuda de ninguém e por meio de um único dispositivo. Impossível? Não mais, graças ao Despertador Inteligente Beddi. Projetado pela Witti Inc., o produto faz parte da emergente categoria de dispositivos conectados que podem ativar uma série de tarefas domésticas controladas por um único centro de controle físico e não por aplicativos diferentes.

A dimensão “figital” – neologismo que nasce da combinação entre o físico e o digital – é uma condição que caracteriza o ecossistema digital no qual as pessoas hoje vivem e consomem, e do qual nossa casa é parte integrante. Este conceito, conhecido em inglês como Design Phygital, ganha a cada dia mais força e é a principal tendência observada pelo laboratório de tendências do Salão Internacional do Móvel de Milão em seu estudo LivingScapes – referência no morar – para os próximos anos e deverá ditar o ritmo dos projetos exibidos na edição 2017 da feira, que ocorre no início de abril.

A automação habitacional, conhecida como Domótica, é um campo de que se tem falado há muitos anos, mas é só recentemente que as repercussões tangíveis da aplicação das novas tecnologias - e da Internet das Coisas, em particular - se fizeram sentir nos espaços habitacionais. O ambiente doméstico e os objetos dentro dele, dos aparelhos eletrônicos ao mobiliário, vêm atuando como novas pontes entre os mundos físico e digital, tornando todos os aspectos da gestão e organização da vida nesse ambiente mais "inteligentes" e dinâmicos, com a casa passando a ser capaz de compreender e a responder aos desejos de seus habitantes – como nos filmes futuristas dos anos 80 e 90.

Esta macro-tendência segue três diferentes linhas, representadas pelas seguintes micro-tendências: Design de Necessidade Imediata, Objetos Inteligentes e Design Aumentado.

Design de Necessidade Imediata

Graças ao avanço da tecnologia e da Internet de Tudo, nossas casas estão cheias de aparelhos eletrônicos, eletrodomésticos e elementos de mobiliário capazes de interagir com seus habitantes e realizar funções autossuficientes, quase que assumindo uma vida própria. As empresas automatizam os sistemas operacionais de seus produtos permitindo com que facilitem as rotinas diárias de seus usuários – humanos – liberando-os das tarefas mais repetitivas e fornecendo uma resposta instantânea a necessidades específicas assim que manifestadas.

"O tipo de mundo que imaginamos é aquele em que eu volto para casa e as coisas simplesmente acontecem. Quero que a casa me reconheça, reconheça meu rosto, acenda minhas luzes, ligue minha música favorita", comenta Andreas Gal, fundador da Silk Labs. No coração da visão da empresa está a crença de que a funcionalidade de um dispositivo deve ser simples, útil e personalizável, e não o contrário – em que o usuário tem de se adaptar à tecnologia.

A empresa, então, desenvolveu a Silk – uma plataforma personalizável que reconhece rostos, objetos, sons e movimentos, tornando a automação residencial intuitiva, conversacional e construída sobre a convergência de necessidades contextuais, eventos e situações. Assim, a Silk age como um cérebro digital, que controla e trabalha em combinação com uma ampla gama de outros dispositivos de nova geração.

June, uma empresa que desenvolve aparelhos eletrodomésticos inteligentes, está prestes a lançar o June Intelligent Oven no mercado. Este forno inteligente é do tamanho de um microondas e tem uma câmera de vídeo Full HD integrada, com interface multi-touch e processador Nvidia Tegra, comumente encontrado em dispositivos móveis, e é literalmente capaz de assumir o jantar.

A câmara de vídeo e os sensores especiais foram desenvolvidos de forma a poder identificar o alimento e seu peso quando entra no forno, sugerindo os tempos de cocção apropriados (atualmente é capaz de reconhecer 15 alimentos diferentes). O forno monitora constantemente a temperatura dos pratos e só se desliga quando cada prato é perfeitamente cozido. O forno também tem conectividade Wi-Fi, o que significa que o status de cozimento pode ser visto e monitorado por meio de transmissão ao vivo através de um aplicativo para smartphones, que também altera as configurações remotamente, se necessário.

Objetos inteligentes

A conectividade inteligente se inicia no instante em que a tecnologia passa a gerar benefícios concretos em termos de melhorar a qualidade de vida dentro de casa. Justamente por isso, os dispositivos de última geração estão sendo desenvolvidos para ajudar a tornar nosso habitat mais agradável para se viver, descansar e trabalhar, atuando de maneira responsiva e enriquecendo, ao mesmo tempo, o aspecto estético desses espaços. Isso porque também são a cada dia mais pensados para se camuflarem ou se destacarem de maneira positiva em meio à decoração da casa.

Outro efeito externo positivo da utilização destas novas ferramentas nos espaços habitacionais reside na capacidade de controlar e conter o consumo doméstico, ajudando a reduzir o seu impacto nos custos de funcionamento e no ambiente de forma sustentável. Em um período de recursos econômicos e ambientais restritos, a atenção ao consumo econômico assume uma importância estratégica, sendo a melhor maneira de poupar dinheiro e ainda proteger o planeta fazendo sua própria gestão de energia eficiente.

Criado pela italiana Solenica, Lucy é um espelho heliostato, ou seja, ajusta-se para refletir continuamente a luz solar. Montado dentro de uma esfera transparente que se move de acordo com os movimentos do sol durante o dia, refletindo essa luz de forma a proporcionar um fluxo contínuo de luz que ilumina partes da casa, sem a necessidade do uso de lâmpadas movidas a energia elétrica. É a prova de chuva e neve, e também pode ser usado em espaços ao ar livre.

Já o Ecosime é um dispositivo produzido pela empresa de mesmo nome, que ajuda a monitorar o consumo de energia nas residências, controlando todos os dispositivos elétricos para evitar desperdícios. Uma vez instalado e conectado ao aplicativo que pode ser baixado no smartphone, ele manterá um registro de todo o consumo de energia doméstica: o que foi usado, por quanto tempo e quanto consumo gerou, exibindo todas as informações em um painel de fácil acesso.

Isso facilita a identificação imediata de quais aparelhos elétricos são mais eficientes em termos de energia e como, potencialmente, reduzir o consumo. O Ecosime também aciona um aviso se um aparelho não está funcionando ou se tiver sido ligado por engano, entre outras funções.

Design aumentado

O design aumentado (ramo da tecnologia de realidade aumentada) refere-se, aqui, a atualização do mobiliário em um sentido inteligente, com novas funções digitais não aparentes, ou seja, que não interferem na estética das peças, mas que possuem funcionalidades surpreendentes que devem impactar diretamente nosso dia a dia.

Quer um exemplo? Nós todos já fizemos isso: vamos para casa, esquecemos de colocar nosso celular para carregar e quando mais precisamos dele, ele está sem bateria. A Fonesalesman, empresa londrina especializada em carregamento sem fio, criou uma solução para os mais distraídos ou preguiçosos como nós.

Chamado FurniQi, a princípio trata-se apenas de uma mesa de bambu minimalista e versátil, adequada para todos os ambientes da casa e para vários usos, que pode ser montada literalmente em um minuto, de acordo com o fabricante. O que não podemos ver é que dentro da mesa há uma interface WiFi que pode se adaptar a diferentes dispositivos habilitados para carregamento sem fio: basta colocar seu aparelho sobre a mesa e esperar a “mágica” acontecer.

A Luz Multifuncional da Sony (desenvolvida com a tecnologia LED da Toshiba) não só acende as várias partes da casa de maneira inteligente, como pode ser ativada remotamente ou programada para ligar e desligar em horários definidos ou temporizados. Ela ainda pode ligar aparelhos eletrônicos (de televisores ao ar condicionado) ou atuar como um autofalante para mensagens de voz. Além de tudo, a peça que é sugestiva do estilo japonês minimalista com linhas limpas, ainda surpreende em design. Uma ideia brilhante!

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