Tempo amigo

O movimento slow design propõe uma vida desacelerada e o consumo consciente

Você deve ter em casa aquele móvel que talvez pense já estar fora da moda e das últimas tendências lançadas pelos salões internacionais de móveis. Só não imagina que com uma boa repaginada, sua peça pode ficar novinha em folha e dar um aspecto novo para a sua decoração. Esse é o propósito do slow design, que valoriza tudo o que é feito de forma artesanal, sustentável e de consumo consciente.

O conceito do slow design vem do movimento slow food, que surgiu na Itália, e veio para se contrapor ao termo fast food - estilo de vida acelerado induzido pela sociedade norte-americana na era pós-industrial. No slow design, especificamente, o objetivo é promover o bem-estar das pessoas, da sociedade e do meio ambiente. “(Ele) se baseia, basicamente, em um conceito de design mais sustentável que se opõe ao consumismo exacerbado. Dentre as principais ideias estão: uma produção artesanal, a conscientização a respeito do que realmente precisamos em termos materiais para viver, a sustentabilidade, não só das coisas, mas da vida de todos no mundo”, explica a designer e Sócio-Diretor da ACTA Comunicação Integrada, Tatá Muniz.

A ideia é simples: comprar apenas o que lhe serve, desde que seja bem feito, durável e sustentável. Nesse sentido, o slow design se parece um pouco o estilo minimalista, que propõe uma vida com menos coisas, evitando o consumismo por outros motivos que não seja a necessidade. Tatá lembra que o minimalismo pode ser aplicado a qualquer coisa, desde “roupas, acessórios, calçados, móveis, livros e revistas, etc. Já o slow design trata-se mais especificamente de móveis, objetos, utensílios e peças decorativas”, afirma.

Um dos pilares do movimento é a sustentabilidade, fazendo uso de recursos renováveis dentro dos limites permitidos. Nada pode ser tirado da natureza sem um propósito, nem mesmo para ser usado como matéria-prima para criar produtos. Deve existir a preocupação em buscar saber a fonte daquele recurso renovável e qual o impacto a retirada dele pode causar para a comunidade local, por exemplo.

Além disso, o mais bacana desse movimento é a valorização do trabalho de pequenos artesãos e da cultura local de cada região. “O slow design propõe um tempo de produção maior, já que nada é feito em larga escala e em linha de produção, são peças mais autorais, artesanais, únicas até e que demandam maior tempo de dedicação, o que é bem característico dos artesãos regionais”, destaca a designer. Isso sem falar na reciclagem, que também é matéria-prima bastante utilizada. A grande sacada é perceber o que você já tem e o que pode reutilizar. É possível que já exista uma peça que já não é mais útil, mas que com algumas mudanças pode dar cara nova a decoração, evitando descarta-la por objetos novos. É só observar com carinho o que você já tem em casa e usar a criatividade para inovar e criar um móvel exclusivo.

Mas, calma! Isso não é obrigatório. Se a peça não está mais condizendo com o cenário do ambiente, ou se incomoda de alguma forma, é importante um descarte consciente doando para outra pessoa, por exemplo.

 “O que percebo é que as pessoas têm uma tendência a se livrar de objetos que estão incomodando na mesma medida em que desejam consumir outros objetos, isso por não conseguirem observar a geografia das coisas. Acabam eliminado um problema e criando outro, ou seja, o consumir por consumir, sem dar uma chance para uma peça ser recriada, reinventada”, opina Tatá.

O conceito principal do movimento do slow design está na mudança do ser humano, que deve pensar no seu futuro como foco e não tanto associar o design com a palavra “tendência” passageira. Além de consumir o suficiente para conseguir sobreviver no futuro, porque o tempo e a matéria-prima são da natureza. Se você compartilha dessa ideia, pode adotar uma vida mais slow – e ser feliz com o que tem!

 

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