Belas Artes In Milano literalmente!

Com raízes bem brasileiras, peças chamaram atenção na semana de design de Milão

Na edição especial DecorArq in Milano falamos sobre a participação brasileira no Salone Satellite – um dos mais importantes e visados eventos paralelos ao Salão Internacional do Móvel de Milão, na Itália. Estudantes do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo (SP) foram convidados a expor suas criações e mostraram que para eles design é raiz e nossa brasilidade foi a grande inspiração. Confira algumas das peças selecionadas:

 

BANCO PARÁ - SOFIA VENETUCCI

Duas unidades de cedro, ligadas visual e simbolicamente por uma esteira tecida pela designer com sementes conhecidas como Lágrima de Nossa Senhora – intensamente utilizada no Brasil pelos índios como adorno e pelos católicos na confecção de um terço sacro conhecido como rosário dos quinze mistérios. Pará, em Tupiguarani, significa Grande Rio. A esteira também lembra o movimento da água de um rio.

 

RICE&BEAN – LUIZ ANTONIO

Os bancos Rice&Bean fazem referência ao típico prato de arroz e feijão consumido de norte a sul do Brasil. Remetem também às duas principais metrópoles brasileiras: São Paulo e Rio de Janeiro. O banco Feijão é feito de cacos cerâmicos avermelhados, assim como o piso de muitas casas simples do interior destes estados. Seu assento, mais alto, caracteriza o verticalismo e dinamismo da capital paulista. Já o Arroz é branco, com seus cacos fazendo menção aos mosaicos dos calçadões do Rio.

 

GAROTOS DE IPANEMA - DÉBORA VIANNA

Brasileiríssimos e bronzeados, os bancos trazem assento em madeira Jequitibá, de coloração levemente avermelhada, em perfeita sintonia com uma delicada estrutura de ferro, igualmente rubra. Homenageando a música e a tão famosa calçada de Ipanema, os bancos foram apelidados por Tom (Jobim) e Vinícius (de Moraes) pela designer nascida na cidade maravilhosa. O desenho da calçada está retratado nos assentos, inclusive suas irregularidades.

 

LUSTRE NAIÁ - LUCAS SANTOS

 A vitória-régia é uma planta aquática típica da região amazônica, situada no extremo norte do Brasil. Basicamente se constitui em uma grande folha em forma de círculo, que fica boiando sobre a superfície dos rios, podendo atingir 2,5 m de diâmetro e suportar até 40 quilos de peso. Seu formato e ciclo de vida serviram de inspiração para inúmeras lendas entre os índios locais, sendo a mais popular delas a da nativa Naiá, Índia apaixonada pela Lua que morre afogada em um lago que refletia sua imagem, tendo se transformado na primeira vitória-régia.

 

BANCO XEPA - ERIC LAIZA

 “Xepa”, ou melhor, a “hora da xepa”, como falamos no Brasil, é uma expressão que indica o fim da feira. O momento em que os produtos podem ser adquiridos por preços mais em conta, uma vez que são perecíveis e não devem ser desperdiçados. Igualmente avesso a desperdícios, Xepa é um banco eco-friendly, obtido a partir da simples junção e colagem de peças de madeira Pinus – uma variedade sustentável e de baixo custo. Visualmente, faz alusão aos caixotes que transportam frutas e legumes para as feiras.

 

REDE ÁGUIDA – LUCAS PEREIRA

Tecidas inicialmente com cascas de árvores, depois com fibras de sisal e tecido, fato é que as redes nunca abandonaram o cotidiano dos habitantes das Américas Central e do Sul. A Rede Águida, tramada à mão, é uma peça que, executada de forma artesanal e com materiais sustentáveis, se prende ao passado indígena brasileiro na sua construção, mas aparece adaptada aos dias atuais. É também uma homenagem às raízes familiares nordestinas do designer, que ainda hoje possuem redes dentro de suas residências.

 

A ARTE QUE SE VESTE - HELOÍSA GOMEZ

Partindo de fundamentos da Kintsugi – estilo de arte japonesa em que peças de cerâmica quebradas são consertadas, mas conservando suas rachaduras aparentes, destacadas por uma mistura de laca e pó de ouro -, Heloisa resolveu perseguir o belo e o único. A designer buscou traduzir a filosofia em algo tangível, construindo tecidos capazes de trazer com eles sentimentos de pertencimento e continuidade. Em Milão, ela apresentou sua coleção de tecidos assimétricos e imperfeitos, cortados sem nenhuma intenção ou planejamento, fabricados artesanalmente.

 

LUMINÁRIA MONA – NATHALIA NOVA

A mamona é uma das espécies vegetais mais difundidas e presentes tanto nas matas quanto nos terrenos baldios das cidades brasileiras, podendo ser considerada hoje uma espécie quase urbana. O seu principal produto, extraído de suas sementes, é o óleo de ricino. De largo emprego na indústria química, não existe nenhum outro vegetal com suas propriedades, o que reforça seu aspecto único. Única também é a aparência visual de seu fruto. Aparentemente espinhoso, mas macio e agradável ao toque, é muito versátil, assim como o povo brasileiro

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