Gluten Free!

Doença exclui 100% o consumo de glúten

A doença celíaca é um distúrbio imunológico relacionado ao glúten que pode apresentar sintomas muito desconfortáveis e provocar consequências graves no organismo do paciente. Não tendo cura, o tratamento consiste na exclusão total do glúten da dieta do diagnosticado, incluindo a atenção para as contaminações cruzadas – aquelas quando alimentos sem glúten são contaminados por outros que o contenham.

Desencadeada pela ingestão de glúten – proteína presente no trigo, centeio, cevada, aveia e malte –, a doença é caracterizada pela inflamação crônica da mucosa do intestino delgado, que pode resultar na atrofia das vilosidades intestinais, com consequente má absorção intestinal e suas manifestações clínicas. O diagnóstico precoce é fundamental para que a doença não desponte em problemas ainda maiores, como o câncer de intestino – a possibilidade de celíacos sem tratamento contraírem o câncer é quatro vezes maior do que na população em geral, de acordo com Lucélia Silva Costa, nutricionista conselheira da Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (Fenalcebra).

A suspeita aparece especialmente quando há sintomas gastrointestinais recorrentes, quadro de anemia resistente a tratamento ou atraso estato-ponderal (como de altura e peso) em crianças. Aliás, já foram registrados mais de 300 sintomas relacionados à doença celíaca, entre os mais comuns estão: diarreia por mais de 30 dias, prisão de ventre, anemia, falta de apetite, vômitos, emagrecimento ou ganho de peso, obesidade, atraso no crescimento, humor alterado, dor abdominal, aftas de repetição, osteoporose/osteopenia etc.


“Como os sintomas podem ter uma apresentação muito variada e há até pacientes assintomáticos [que não apresentam sintomas], o médico deve ser sempre procurado em caso de diagnóstico de doença celíaca em parentes de primeiro grau, principalmente em gêmeos univitelinos”, ressalta Fernanda Andrade de Oliveira, médica gastroenterologista – especialista em doença celíaca, entre outras.

Impacto social
Mariana Tavares Rodrigues, auxiliar de educação infantil, foi diagnosticada como celíaca ainda aos dois anos de idade e confessa ter sido complicado enfrentar a doença na infância, quando não entendia suas restrições alimentares. “Se eu fosse convidada para uma festa, eu tinha de levar meu próprio salgado, bolo, suco, tudo separado.”

Ela diz que com o passar dos anos sua rotina ficou mais fácil, passando a entender a doença e se acostumando ao que podia ou não comer. “No começo passei muito mal, tendo muita diarreia e vômito. Hoje não sinto mais esses sintomas, mas continuo meu tratamento hospitalar e também seguindo a dieta, pois os médicos dizem que posso ter problemas a longo prazo.”

Apesar de o Brasil ter sido um dos pioneiros na lei que obriga que as fabricantes apresentem informações sobre a presença de glúten nas embalagens de alimentos, ainda estamos longe do ideal. Encontrar alimentação segura, sem sequer traços de glúten, fora de casa ainda é difícil.

Cenário que vem se desenvolvendo, conforme aponta a gastroenterologista Fernanda: “Percebemos que, cada vez mais, a indústria alimentícia tem se empenhado em criar alimentos que facilitem a dieta”. Mariana concorda: “Na infância foi complicado. Naquela época não havia as inúmeras substituições que existem hoje e muito menos os alimentos já sem glúten, que encontramos com muito mais facilidade nas prateleiras de supermercado e através da Internet.”

No entanto, a celíaca ainda reclama da dificuldade em encontrar esses produtos no interior. “Acredito que agora estamos no caminho certo, pois já existem muitos produtos focados no público celíaco. O problema é que eles estão concentrados nos grandes centros. Nós do interior acabamos por encontrar apenas produtos básicos, como macarrão, bolacha, farinha de arroz etc. E nos restaurantes é ainda mais difícil”, conta ela que sempre tem que recorrer a Internet para encontrar diversidade.

Outro fator é a questão preço. “Gostaria que fossem produtos mais acessíveis para que todas as pessoas pudessem compra-los”, desabafa Mariana.  Também é importante ressaltar que além da indústria alimentícia, a sociedade deve aprender a lidar melhor com o celíaco. “Existem casos em que o paciente sofre socialmente, mesmo com familiares e amigos, que desconhecem a doença e o incentivam a sair da dieta, principalmente em momentos de confraternização”, expõe Fernanda.

Porém, como alerta Lucélia, “não fazer o tratamento corretamente ativa a doença celíaca, que destrói o organismo do paciente e traz muitas consequências futuras”. Então, sem essa de “um pouquinho” não faz mal!

 

 

 

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