Comer? Não, obrigada!

Condição torna um desafio o ato de se alimentar

Se há um consenso quase que universal é que comer é bom demais! Mas e quando o simples ato de engolir vira um grande desconforto, tornando a experiência de se alimentar desprazerosa? Isso existe e está ligado aos sintomas de diversas doenças: é a disfagia, caracterizada pela dificuldade de deglutição, ou seja, de engolir, seja alimentos nas mais variadas texturas, saliva, comprimidos ou até líquidos.

Atingindo pessoas de todas as idades, o distúrbio está relacionado a diversas condições mecânicas (traumas, cirurgias, inflamações) ou neurológicas (doenças degenerativas, como Parkinson, pós acidente vascular cerebral, miopatias). Aparecendo sempre como sintoma de uma outra condição patológica. Pode surgir abruptamente, como nas disfagias pós-cirúrgicas, ou gradativamente, associada às doenças degenerativas.

Tendo, nestes parâmetros, o envelhecimento também como um fator predisponente, a disfagia ainda é relativamente comum entre recém-nascidos, afetando o desenvolvimento dessas crianças que não conseguem fazer o consumo adequado de leite materno. A doutora em neurociência, Elisabete Carrara – que também é diretora do Departamento de Fonoaudiologia do A.C. Camargo Cancer Center e a primeira membro brasileira da diretoria da “Dysphagia Research Society” – explica que independentemente da fase da vida, a disfagia deverá trazer algum grau de impacto na qualidade de vida do paciente, que, por vezes, passa a se alimentar por meio de sonda.
Impactos físicos: engasgos; tosse ao se alimentar; sensação de alimento parado na garganta; até complicações graves como a desnutrição e a pneumonia – que é decorrente da entrada de alimentos no pulmão (chamada de “aspiração”).

Impactos emocionais: medo de se alimentar; medo de engasgar; a alimentação passa a ser um “fardo”; há necessidade do uso de sondas, o que, consequentemente, culmina na perda da alimentação como um prazer.

Impactos sociais: deixar de comer na frente de pessoas, especialmente em lugares públicos, como restaurantes; a pessoa deixa de frequentar reuniões sociais do trabalho ou mesmo de encontrar os amigos pela dificuldade em se alimentar. 

Impactos financeiros:  muitos deixam o trabalho; o custo das dietas por sondas, quando necessário.

Geralmente seu diagnóstico e seu tratamento são realizados por equipe multidisciplinar: fonoaudiólogo, neurologista, cirurgião de cabeça e pescoço, otorrinolaringologista, pneumologista, nutricionista, entre outros. Elisabete ainda explica que dependendo de sua causa e manifestação, o tratamento pode variar entre: clínico (medicamentoso e/ou reabilitação fonoaudiológica) e cirúrgico.

“Como as causas da disfagia geralmente estão associadas a doenças ou procedimentos cirúrgicos, nem sempre a cura é possível, mas a readaptação é plenamente plausível”, explica a especialista que ainda dá dicas. Se a causa for o envelhecimento, por exemplo, é possível trabalhar exercícios que fortaleçam a musculatura envolvida no processo de mastigação e deglutição, adaptando essas funções de forma a eliminar a entrada de alimentos nas vias aéreas (o que causaria pneumonia).

Já se a raiz for alguma doença neurológica ou questão mecânica a readaptação é um pouco mais complicada, mas não impossível e os pacientes podem voltar a se alimentar muito bem, segundo Elisabete. “Às vezes se faz necessária a modificação da rotina alimentar, desde a eliminação de uma determinada consistência [espessando líquido, por exemplo] até o extremo de ser impossibilitado de comer por via oral, sendo necessário o uso de sondas [nasais ou gástricas]”, esclarece a fonoaudióloga. Elisabete finaliza ressaltando que “para lidar com a disfagia, o primeiro passo é o diagnóstico correto!”. Por isso, aos primeiros sinais, procure um especialista. 

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