Perto do mar e... longe dos mariscos!

Tudo o que você precisa saber sobre as alergias alimentares

Moqueca de camarão, caranguejo, lagosta, casquinha de siri, acarajé... Huuumm. Pratos que enchem os olhos e dão água na boca. Para quem viaja para as praias durante as férias, esses são os alimentos que não podem faltar no cardápio das barracas à beira-mar. Difícil é quando isso significa uma verdadeira tortura para muita gente que tem alergia a frutos do mar e só pode ficar olhando enquanto os outros comem.

As reações adversas causadas pelo consumo desses alimentos têm obrigado muitas pessoas a diminuir ou cortar totalmente da alimentação. A alergista e imunologista Dra. Alexandra Sayuri Watanabe, também Diretora da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia), explica que, de modo geral, “a alergia é uma resposta exagerada do organismo frente a um componente de medicamento, alimento, veneno de insetos, animais, pelos de animais, baratas e fungos”.

No caso das alergias alimentares, quando o organismo percebe a presença de proteínas específicas de um desses alimentos, ele as encara como inimigas e manda células de defesa, chamadas de anticorpo IGE específico, para combater o “ataque”. O problema é que, no meio dessa história, o corpo também acaba sendo agredido.

Ainda não existe uma resposta definitiva que explique o aparecimento das alergias. A alegista afirma que, de uma hora para outra, o organismo pode passar a entender aquele componente como um invasor e começar a produzir o anticorpo. O que já se sabe é que filhos de pais alérgicos têm tendência a ter mais alergia.

As reações alimentares mais frequentes não são causadas apenas pela ingestão de frutos do mar. Outros alimentos como ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas e nozes também podem ser a principal razão do disparo de um ataque alérgico.

A especialista ainda ressalta que em 80% dos casos das alergias alimentares o processo cutâneo está envolvido entre os sintomas. “Temos a urticária, caracterizada por placas elevadas e avermelhadas que coçam pelo corpo, e o angiedema, que é o inchaço da pálpebra, orelhas e lábios. As reações podem ainda ser mais graves, como é o caso do choque anafilático (dificuldade de respirar por inchaço na região da garganta). Além do sintoma cutâneo, pode haver falta de ar, algum envolvimento cardiovascular, desmaios e a perda de consciência”, pontua Alexandra.

Se você descobriu que tem alergia a algum alimento, saiba que nunca mais vai poder comê-lo novamente, porque não existe cura para o problema. “A partir do momento que se tem a formação no organismo desse anticorpo do IGE (imunoglobina E) específico contra o alimento, toda vez que o indivíduo entrar novamente em contato com alérgeno, vai desenvolver a reação, independentemente da quantidade consumida. O organismo libera substâncias que provocam os sintomas que podem afetar a parte respiratória, a pele, o intestino e o pulmão”, esclarece a alergista. No entanto, ela lembra que existem as dessensibilizações, conhecidas como tratamentos de imunoterapia oral, feitas sempre sob orientação de um profissional. “Mas não é para todos os tipos de alimento que esse tratamento pode ser feito”, alerta a imunologista.

A dessensibilização é feita colocando o paciente em contato com o alimento. O procedimento precisa ocorrer diariamente, caso contrário a eficácia do tratamento fica comprometida. No caso do marisco, a imunoterapia oral não é indicada já que não se trata, normalmente, de um alimento consumido com a frequência que justifique o tratamento.

E aqui vai mais uma informação valiosa da especialista: “Os frutos mar podem ser moluscos ou crustáceos. Dentro da mesma família há proteínas semelhantes, que podem não estar presentes em outra família. O camarão, sendo um crustáceo, dá reatividade cruzada com lagosta, caranguejo e siri; mas não com polvo e a lula, por exemplo, que fazem parte dos moluscos”. Ou seja, se você já é alérgico ao camarão, deve evitar todos os crustáceos. Se tem alergia ao polvo, deve evitar todos os moluscos.

Mas sempre vale a pena também se aconselhar com um alergista que irá lhe indicar todas as restrições e acompanhar o caso individualmente.

Todo o cuidado é pouco! A regra geral para quem tem alergia a uma espécie de marisco é evitar todas as espécies dessa classe. Além disso, não é seguro aceitar a comida que pode estar “contaminada”, ou seja, que teve algum tipo de contato com alimentos aos quais se tem alergia. Isso porque as proteínas dos frutos do mar passam para aquela colher que entra em várias panelas. É também importante ler os rótulos dos produtos e questionar nos restaurantes a forma e ingredientes de preparação.

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