Você tem fome de quê?

Entre a razão e a emoção, é você quem escolhe o melhor caminho

Está no meio de um dia estressante de trabalho e só consegue pensar em comer? Abriu a geladeira “para pensar” e acabou devorando tudo o que viu pela frente? Discutiu com o parceiro e está “descontando” num prato de brigadeiro? Saiba que você pode estar sofrendo de “fome emocional”. Isso mesmo! Diferente da chamada “fome racional”, em que nos alimentamos por uma necessidade física, suprindo-nos dos nutrientes e vitaminas necessários para o bom funcionamento do corpo, a fome emocional é aquela que surge por impulso e é geralmente motivada por questões subjetivas ligadas às sensações de tristeza, raiva, angústia, ansiedade ou até mesmo êxtase.

 
Autora do livro “Código Secreto do Emagrecimento”, a especialista em obesidade Gladia Bernardi explica que “a pessoa se sente mal por algum motivo e passa a usar os alimentos como uma ‘válvula de escape’, logo relacionando a comida a um momento de prazer para compensar uma sensação ruim, um vazio interior”. Ela continua: “Os pensamentos geram emoções, as emoções nos levam a tomar decisões e essas decisões tornam-se hábitos. Isso nos faz esquecer que devemos comer quando estamos com fome de verdade e não quando estamos sentindo necessidade de compensar situações emocionais”.

 

Fome racional x Fome emocional


Algumas das consequências advindas do hábito de se alimentar por impulso é a obesidade e a compulsão por alimentos aos quais estamos emocionalmente conectados, o chamado vício alimentício. Um exemplo é o açúcar. “Desde pequenos estamos acostumados a ingerir frutas e leite. Estes alimentos possuem os seus próprios açúcares, que são a frutose e a lactose, respectivamente. Desta forma, o cérebro entende que sempre precisamos consumir este alimento. É assustador!”, exclama a especialista no tema.

 

Mas então não devo sentir prazer ao comer? Nada disso, as refeições devem ser, sim, momentos prazerosos, porém, sem a carga de impulsividade ligada à fome emocional. Gladia ressalta que “com pequenos passos, como tirar o açúcar de nossa alimentação, o cérebro vai entendendo que a principal função da comida é suprir uma necessidade orgânica, e que é possível comer com prazer de forma balanceada e saudável, fazendo com o que o lado emocional e o racional conversem”. Outro segredo para controlar o vício é realizar escolhas alimentares inteligentes, como optar por alimentos ricos em proteínas, como frango, atum, feijão, ovos, nozes, sementes e grãos. “Esses alimentos saciam a fome e aos poucos o cérebro vai se ‘desligando’ dos vícios.”


A atitude mais bacana, portanto, é buscar o equilíbrio entre o lado emocional e o racional. “Nenhuma decisão deve ser tomada sem que um sistema do cérebro converse com o outro”, enfatiza Gladia Bernardi. Se o seu objetivo é perder peso, no entanto, em seu livro a especialista explica que para um emagrecimento saudável é necessário que entre 70% e 80% de nossas decisões relacionadas à alimentação sejam racionalmente motivadas.

 

“É possível controlar a ingestão de guloseimas e desenvolver o lado racional da situação. O grande segredo é identificar os pensamentos que nos autossabotam, criando uma relação mais natural do nosso cérebro com a comida. Desenvolvendo, assim, dia após dia, uma rotina mais saudável, feliz e na qual estejamos sobre controle”, fala a autora.

 

Mas, afinal, como treinar nosso cérebro para isso? “É preciso fazer com que o sistema emocional permita com que o racional se manifeste e dê ‘bons conselhos’ para a mente. Por exemplo, quando uma pessoa for ‘afogar as mágoas’ em um pote de sorvete, deve se perguntar se realmente está com fome para comer toda aquela quantidade e, mesmo que a fome seja grande, se irá de fato precisar de um pote inteiro para saciá-la”. Aos nos permitir o questionamento, fazemos uma autorreflexão sobre nossos hábitos e sobre a maneira com que tratamos nosso corpo, muitas vezes nos levando a desistir de impulsos emocionais.

 

A ajuda profissional de um terapeuta também pode ser bastante importante nesse processo. “O profissional realiza um diagnóstico profundo sobre pensamentos, emoções e comportamentos e suas relações com a alimentação”, explica a psicanalista Andréa Ladislau. “É preciso que você entenda a sua situação e encare-a de frente, para que não volte a praticar hábitos antigos. Por isso, busque ajuda e mude o que você acha que é preciso. Sem estar preso em padrões ressaltados pela sociedade.”

 

Saúde e autoestima

 

Quando o processo de redirecionamento mental está funcionando e trazendo resultados gratificantes, a pessoa se sente feliz e motivada a buscar um estilo de vida mais saudável, muitas vezes até recorrendo a prática de exercícios físicos. A rotina fica não só mais agradável, leve e feliz, mas também colabora para um corpo em forma e, consequentemente, para a melhora da autoestima.

 

“A chave está na nossa mente, devemos mudar o jeito que pensamos e entender que temos que comer por necessidade. Essa mentalidade, junto com exercícios e rotina saudável, ajudará a pessoa a alcançar o resultado desejado e ter muitos momentos de prazer”, finaliza Gladia.

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