Nascer natural

Prática de cesárea é considerada abusiva no Brasil e projeto tenta incentivar o parto normal

Celebrado no dia 14 de maio neste ano, o Dia das Mães carrega consigo toda a força e a coragem da mulher. Sexo frágil? Infeliz expressão que em nada condiz com a realidade do dia a dia feminino. Entre as muitas lutas dessas mulheres e mães, está a busca por um atendimento mais adequado e humanizado naquele que será um dos mais importantes momentos de suas vidas: o parto.

A “epidemia” de cesarianas quase que mecanizadas vivida no Brasil, por exemplo, já foi noticiada em muitos países que consideram a prática abusiva contra a saúde das mulheres e o próprio desenvolvimento da criança. Embora em queda, o Brasil ainda pedala para alcançar a meta de mortalidade materna imposto pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além das altíssimas taxas de cesáreas, o excesso de intervenções desnecessárias, a falta de treinamento de equipes especializadas e a proibição do aborto são alguns dos fatores apontados como barreiras para que o risco diminua mais no País.

Parto Adequado

Pensando em soluções para esses problemas, sobretudo na humanização do atendimento, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) juntamente ao Hospital Israelita Albert Einstein e o Institute for Healthcare Improvement desenvolveram o “Parto Adequado”. O projeto está em sua segunda fase, tendo rendido bons frutos – literalmente – durante os 18 meses de sua etapa inicial.

Segundo a ANS, as principais conquistas da primeira fase incluem um aumento de mais de 40% da taxa de partos normais entre os 35 hospitais participantes. Como consequência, foram evitadas mais de 10 mil cesarianas sem indicação clínica e 400 bebês deixaram de ocupar unidade de terapia intensiva neonatal.

O projeto tem por objetivo mudar o modelo de atenção ao parto, promovendo o parto normal, qualificando os serviços de assistência no pré-parto, parto e pós-parto, favorecendo a redução de cesáreas desnecessárias e de possíveis eventos adversos decorrentes de um parto não adequado. Com isso, busca-se reduzir riscos desnecessários e melhorar a segurança do paciente e a experiência do cuidado para mães e bebês. 

“Ao passar pela vagina da mãe, os líquidos pulmonares são espremidos e o bebê nasce respirando muito melhor”, explica a coordenadora da maternidade do Albert Einstein, Rita Sanches. Ele também tem que ter contato com as bactérias da mãe para ter uma flora intestinal adequada, quando for adulto. “Sabemos que quem nasce de parto normal tem uma saúde muito melhor quando adulto. E a mãe tem muito menos morbidade do que fazendo cesárea.”

Outro problema associado à cesárea, segundo o diretor superintendente do Albert Einstein, o médico Miguel Cendoroglo Neto, é que estimula os nascimentos antes da completa formação do bebê, ou seja, antes da 39ª semana de gestação, obedecendo a conveniência do médico ou da mãe e não o ciclo do bebê. “O parto é agendado”, reprova.  

Um dos riscos é que há uma possibilidade 120% maior do bebê nascido por cesariana ir para uma unidade de terapia intensiva (UTI). “Um contingente desses bebês vai parar na UTI neonatal ou porque não estão bem desenvolvidos ou porque ainda têm problemas no pulmão. Parte deles vai morrer”, alerta Cendoroglo Neto.

Segundo Martha Oliveira, diretora de desenvolvimento setorial da ANS, o Brasil tem a maior taxa de cesarianas do mundo. “A OMS preconiza 15%. Mas não é esse o nosso objetivo. Nosso objetivo é reduzir a taxa de cesarianas”, defendeu. A iniciativa, que tem o apoio do Ministério da Saúde, conquistou a adesão de 38 hospitais particulares e quatro com atendimento pelo Sistema Único de Saúde em sua primeira fase, mais do que era projetado.

Na nova etapa, o número de hospitais participantes foi ampliado para 153 – sendo 128 privados e 25 públicos. A iniciativa também envolve a participação de 65 operadoras de planos de saúde. Com isto, a ANS espera expandir os impactos positivos provocados pelo projeto durante a fase piloto para o conjunto do sistema de saúde. Para saber mais sobre o Parto Adequado e fazer parte dessa mudança, acesse: http://www.ans.gov.br/gestao-em-saude/projeto-parto-adequado.

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