Futebol, cerveja e churrasco

Uma mistura que pode ser muito perigosa

No Sul e Sudeste do Brasil as pessoas costumam chamar o futebol com os amigos de “pelada”, já pelo Nordeste a expressão usada é “bater um baba”. A verdade é que em todos os cantos do país os brasileiros são grandes apaixonados pelo futebol-arte e até se arriscam bater uma bolinha num jogo sagrado, mas despretensioso, do fim de semana.

E ao contrário do futebol profissional, na pelada não existem muitas regras. Para começar o jogo basta uma bola, algumas pessoas divididas entre dois times e uma quadra, praça, pedaço de areia na praia, terreno baldio ou na rua mesmo. O gol pode ser com dois chinelos ou duas pedras a uma certa distância e tudo certo. Começa a brincadeira e o coração vai a mil!

E nesse clima de Copa do Mundo muita gente se sente ainda mais motivada para jogar futebol no fim de semana, mas isso pode ser algo um tanto arriscado. “Praticar um esporte como esse, principalmente para pessoas que não fazem exercícios regularmente, provoca uma sobrecarga no coração. Tem peladeiros sedentários que chegam a ter 200 batimentos cardíacos durante o pico de uma corrida e geralmente são pessoas que não fazem exames, podem estar com sobrepeso, ter doença coronariana pré-existente e não sabem. Então essas pessoas correm até o risco de infarto ou morte súbita”, explica Flávio Madruga, médico especialista em Nutrologia e Medicina do Esporte, que atua na Clínica Flama, em São Paulo.

Se engana quem pensa que problemas com a saúde física só acontecem com atletas de alto rendimento. A pelada pode não ser tão inofensiva assim, porque uma atividade como o futebol é um forte aeróbico que causa grande gasto energético. “Se a pessoa não estiver condicionada ou não tiver uma avaliação prévia pode trazer problemas para o coração do esportista amador. O atleta profissional, por exemplo, apesar de avaliado acaba tendo morte súbita no campo. Por isso é necessário fazer essa avaliação antes de começar a praticar esse esporte”, afirma Dr. José Francisco Saraiva, presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (Socesp).

Como todo bom brasileiro, os peladeiros(as) acabam usando essa desculpa para fazer um churrasco regado com cerveja depois que o jogo termina, e é aí que mora o perigo. A mistura de futebol, álcool e gordura animal pode não ser muito boa. “A pessoa joga lá meia hora de futebol e depois tem aquela churrascada, mas não é isso que vai fazer mal. Nós não recomendamos o uso do álcool porque além de ser extremamente calórico, diminui os reflexos e faz com que o metabolismo fique devagar. Isso sem contar que a cerveja tem o índice glicêmico alto e embora as pessoa digam que ela tem um efeito diurético por ter água, a quantidade de álcool que ela tem é extremamente ruim para o organismo”, esclarece o Flávio.

Mas não se preocupe porque nem tudo está perdido! Dr José afirma que tudo depende de uma boa hidratação, mas com água. “Não se pode condenar um indivíduo que está habituado a jogar bola e depois vai tomar algumas cervejas acompanhado de um churrasco, a gente não pode radicalizar. Mas a pratica desse esporte, principalmente com o tempo quente, pode acabar causando desidratação e o álcool não é uma forma adequada de hidratação, pois isso intensifica as ações dele no organismo e a pessoa vai ficar exposta a riscos maiores. Por isso, primeiramente é necessário tomar bastante líquido antes e depois do jogo”, orienta o cardiologista.

Praticar esporte coletivo é bom e recomendado, mas todo cuidado ainda é necessário. Por isso o especialista Flávio dá a dica: “Quer jogar futebol? Se condicione primeiro. Se quer fazer um churrasco depois, pode também, mas evite arroz, pão e maioneses, só coma de acompanhamento, no máximo, uma salada. Além disso, procure se hidratar bastante, principalmente com a ingestão de água mineral com gás, ou sem, com uma rodela de limão. O churrasco está liberado mas com moderação para não exagerar no excesso de gordura e a cerveja também está, mas em pequena quantidade”.

E vale lembrar mais uma vez: a mistura desse trio “parada dura” pode ser nociva para o corpo e também para o coração. Por isso, antes de tudo é importante uma avaliação clínica para evitar qualquer tipo de surpresa desagradável para não acabar terminando a brincadeira cedo demais.

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