Pacientes oncológicos podem viajar?

“Não é porque você está tratando um câncer que não tem direito de se divertir”

É natural que a vida de quem esteja passando por um tratamento oncológico se concentre em consultas médicas, exames e sessões de quimioterapia e/ou radioterapia. Isso tudo acaba levando o paciente a um grande desgaste físico e emocional, o que gera cansaço, ansiedade e estresse. Por isso mesmo, essas pessoas não só podem mas devem ter momentos de lazer - inclusive viajar. O importante, claro, é reconhecer seus próprios limites, conversar com seu médico e manter a rotina de autocuidado mesmo longe de casa.

 

De acordo com especialistas do hospital americano Cleveland Clinic, uma das referências mundiais em oncologia, se o paciente está na fase inicial do tratamento é imprescindível priorizar o programa e, por isso, viagens que comprometam a agenda médica não são recomendadas. No entanto, para aqueles que já estão em fase avançada do processo, há sim a possibilidade de uma rotina mais flexível.

 

 “O primeiro passo antes de se tomar a decisão de viajar é sempre conversar com o seu médico para saber se há restrições. Se o paciente está acabando a quimioterapia, poderá viajar, mas deve evitar voos de longa duração ou cruzeiros, devido ao risco elevado de infecções. Se passou por cirurgia recente, uma viagem aérea também pode aumentar o risco de desenvolvimento de coágulos sanguíneos. No entanto, em muitos outros casos, as únicas recomendações são que se evite uma longa exposição ao sol ou aglomeração de pessoas”, explica o oncologista do Centro Paulista de Oncologia (CPO), Felipe Ades.


Segundo informações do Instituto Vencer o Câncer, “pacientes em tratamento quimioterápico devem proteger-se do sol com o uso de filtro solar [fator maior ou igual a 30], além de roupas e acessórios, que devem incluir chapéus ou lenços na cabeça”. Isso porque os medicamentos utilizados durante o tratamento podem manchar a pele.

 

Ainda segundo o instituto, febre é questão de urgência! Se o paciente apresentar febre igual ou superior a 37,8ºC (medida embaixo das axilas) e estiver em quimioterapia ou radioterapia, deve procurar imediatamente o serviço local de saúde ou entrar em contato com seu médico. Portanto, é recomendável que essas pessoas sempre viajem acompanhadas e tenham o contato de seu oncologista em mãos.

 

E, claro, conforme explicam os profissionais da Cleveland Clinic em seu website, “antes de escolher seu destino, é importante pensar em como você está se sentindo”. Optar por lugares em que é necessário andar muito, como trilhas, passeios longos ou visitas a parques, talvez não seja uma boa pedida se a pessoa ainda sente muita fadiga. Praia ou campo podem ser destinos interessantes para descansar e relaxar. No entanto, é importante aplicar protetor solar a cada três horas e evitar comer os petiscos que são vendidos na areia.

 

Aliás, cuidar da alimentação é essencial, especialmente quando se está fora de casa. “É importante que o paciente sempre consuma alimentos frescos e de procedência confiável, além de beber bastante líquido”, sugere o material do instituto Vencer o Câncer. Por isso, as chamadas comida de rua não devem fazer parte da dieta do paciente. Uma boa pedida é fazer um kit com alimentos para serem consumidos quando sentir fome, incluindo frutas, castanhas, biscoitos e, claro, bastante água.

 

Outra dica é não esquecer de levar na viagem e sempre manter ao seu lado (não despachar junto às malas) todos os medicamentos que estejam em uso. Não somente os do tratamento, mas também os sintomáticos, utilizados em caso de dor, febre e vômito, por exemplo. E lembre-se: “não é porque você está tratando um câncer que não tem direito de se divertir”. As memórias que se cria durante uma viagem podem ajudar a se sentir muito melhor durante as fases estressantes do tratamento.
 

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