Caminhando pelo mundo dos autistas. A luta de pais que buscam entender o problema.

O Autismo é uma disfunção global do desenvolvimento, crônica, incapacitante que compromete o desenvolvimento normal de uma criança. Essa disfunção se caracteriza por lesar e diminuir o ritmo do desenvolvimento psiconeurológico, social e linguístico da criança, ou seja, os autistas possuem desvios de comunicação, atenção e, consequentemente, problemas comportamentais.

No mundo, segundo a ONU – Organização das Nações Unidas – acredita-se haver mais de 70 milhões de pessoas com autismo. Os primeiros indícios ocorrem, geralmente, antes dos três anos de idade, e persistem por toda a vida. Alguns destes são: dificuldades em interações sociais, comportamentos estereotipados; obsessão por partes de objetos; inflexibilidade em quebrar rotinas; problemas na dicção; risos em situações inapropriadas ou inesperadas; ausência ou pouca expressão facial, exceto quando estão bravos ou agitados; podem ser agressivos consigo ou com outras pessoas, em situações adversas.

Muitos pais percebem algo de errado com o filho ainda nos primeiros meses de vida. “A Morgana, aos seis meses, era um bebê como qualquer outro, só que era um pouco mais agitada e tinha muita dificuldade para dormir. Após os seis meses, percebemos que ela estava se isolando, já não atendia mais quando era chamada e passava horas rodando objetos. O primeiro diagnóstico de estado autistico foi com um ano e seis meses”, contou Fabiana Cezar, mãe da pequena Morgana de apenas seis anos.

Todos os pais percebem quando há algo de errado com o filho e quando recebem o diagnóstico de autismo, se perdem por não terem muitas explicações do problema. “Foi um grande choque. O mais doloroso era não ter ajuda e nem respostas de nenhum médico. Eu escutava da boca deles, que minha filha nunca iria conseguir evoluir, nunca iria para uma escola”, disse Fabiana.

Este desestímulo em relação aos autistas é completamente errado. Os portadores de Autismo podem e devem ter um dia-a-dia comum, apesar das limitações. “Infelizmente, quem não tem um filho autista pouco consegue entender as reações deles. É difícil você ver uma criança linda sem característica nenhuma, tendo uma crise nervosa por causa de um ambiente novo, ou por que sua rotina foi quebrada. Nossas crianças são julgadas como mimadas ou mal educadas”, desabafou a mãe de Morgana.

Segundo pais e médicos, o primeiro passo para entender e aprender a lidar com uma criança autista é respeitar o jeito delas de ser e entender que cada uma tem o seu tempo. O novo para essas crianças é muito assustador, e muitas pessoas querem impor situações sem respeitar o limite delas.

Existem métodos para o autismo ser diagnosticado, mas não há uma descoberta científica que mostre o Autismo em exames, porém, está inserido no CID-10. “Existem diversos testes, exames e outros acompanhamentos como psicólogos, fonoaudiólogos e pedagógicos até a realização e fechamento do diagnóstico”, disse Paula Pessoa Carvalho, psicóloga Infantil comportamental e orientadora educacional.

Para tratar o Autismo, os especialistas utilizam medicamentos e terapias que são paliativos, ou seja, que resolvem por um tempo. Independentemente do grau, o Autismo não tem cura, e sim, melhoras. Quanto mais cedo for diagnosticado, maiores são as chances desta criança evoluir.

Ana Brito, mãe de Nicolas, diagnosticado autista aos quatro anos, percebeu que havia algo de errado com o filho aos quatro meses e meio, quando tentou introduzir novos alimentos, além do leite materno. Depois percebeu que seu filho não ligava para brinquedos e passava horas observando ventiladores, máquina de lavar, ou tudo que girasse, entre outras coisas. Hoje, depois de muita luta, Nicolas está no oitavo ano do Ensino Fundamental e tem um livro escrito por Ana, com o nome de “Meu filho ERA autista”. “ O livro relata sobre nossa tragetória, desde as desconfianças, até os dias de hoje, quando o Nicolas já está inserido na sociedade e consegue levar uma vida muito perto do normal. Vai à escola sozinho, vai ao comércio da região, fala, dá palestras sobre sua vida e assim por diante. O livro conta como lutamos, com muito amor e perseverança, para trazermos o Nicolas de volta do mais profundo abismo. Relata as lutas e conquistas de uma família”.

Em 2011, Nicolas começou a dar palestras com Anita sobre o Autismo, para explicar às pessoas o que é o Autismo, no ponto de vista, que é autista. Nas palestras, o público se emociona, chora, sorri, aprende e se diverte.

 

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Você sabe o que é Psicomotricidade?

Psicomotricidade é uma prática que visa o amadurecimento psicológico de uma criança pela via motora. Esta prática tem como objetivo ajudar a formar um ser autônomo, criativo e preparado para a aprendizagem formal para toda a vida.

“A psicomatricidade estimula os sentidos e suas sensções com atividades que tenham impacto ao mundo; favorecem a comunicação entre as crianças, sua livre expressão e criação através do brincar (correr, pular, girar, fantasiar, simbolizar, construir, derrubar, desenhar, mexer com areia ou água, tinta) e outras situações que permitem a criança viver um percurso que vai do prazer de agir ao de pensar, transcendendo assim as necessidades imediatas da vida e conferindo um sentido à ação. A tônica central é o respeito à criança, dando oportunidade e importância para ela poder “se dizer” e ter a possibilidade “de ser”, explica Juçara Potyguara, especialista em psicomatricidade.

A criança autista, assim como qualquer outra, adora interagir. A questão com o Autismo é descobrir a maneira certa para fazer a interação. Descobrindo o canal de comunicação mais bem aceito pela criança, o trabalho fica fácil. Em relação ao tempo necessário, “não temos como precisar, cada criança responde no seu tempo e no seu próprio ritmo. Porém, nos primeiros meses, os pais e os professores já notam a diferença nas atividades diárias, na educação física, na diminuição da angústia sem razão aparente e maior habilidade motora”, finaliza Juçara.

 

 

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