TOC em crianças e adolescentes: quando se preocupar

As crianças também podem ser escravas de compulsões e obsessões assim como os adultos.

O TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) é uma doença caracterizada na maioria das vezes nos adultos. Porém, o que poucos sabem é que ela pode se iniciar já na infância ou adolescência. O transtorno se caracteriza por pensamentos, imagens ou ideias de conteúdo sempre ruim que invadem a mente da pessoa independente da sua vontade, muitas vezes a fazendo escrava de obsessões que trazem o comprometimento funcional além de muito sofrimento.

 

Hoje profissionais sabem que o TOC pode aparecer a partir dos seis anos, entretanto é mais comum na adolescência. O início precoce acontece com mais frequência em meninos e estudos clínicos indicam que há uma continuidade dos sintomas na vida adulta.

 

O TOC tem características iguais nas crianças e adultos, porém os pensamentos involuntários, conhecidos como obsessões, nem sempre são reconhecidos como sendo “sem sentido” pelas crianças. É próprio da faixa etária o pensamento fantasioso, portanto é muito importante a atenção dos pais ou responsáveis no dia a dia desses pequenos.

Para aliviar seus pensamentos, aparecem as compulsões chamadas popularmente de “manias” que a criança passa a desenvolver como: fazer coisas repetidamente, deixar os brinquedos simetricamente organizados, contar seus passos. Entre os sintomas frequentes encontram-se medo de contaminação, de ferir-se ou ferir outras pessoas, obsessões sexuais e de simetria, compulsões de lavagem, verificação, repetição, contagem, ordenação/arranjo e compulsões semelhantes a tiques ("tic-like").

 

Todas as crianças têm suas ‘manias’ mas os pais precisam se preocupar quando esses rituais e pensamentos tomam uma proporção exagerada, que além de deflagrar um sofrimento intenso, escraviza o comportamento da criança. Brincadeiras, falta de contato físico ou até mesmo o fato da criança nunca querer ir no banheiro da escola, podem ser persamentos relacionados ao transtorno obsessivo.

 

Estudos afirmam que as causas do TOC têm influência de fatores genéticos, de neurotransmissores (principalmente a serotonina) e a influência da atividade do lobo frontal (parte frontal do cérebro). Porém, outras teorias destacam a influência de fatores psicológicos. A família e seus comportamentos são fatores importantes no aparecimento e na evolução desse transtorno, principalmente pela forma como essas obsessões serão tratadas no dia a dia. Nas crianças tambem é comum a comorbidade (transtorno associado) com o Transtorno de Ansiedade de Separação.

Crianças são geralmente ainda mais sigilosas em relação aos sintomas do que os adultos. Neste caso, a melhor maneira de detectar a doença é utilizando a observação. Se a criança apresentar preocupações excessivas com fatos cotidianos a ponto de interferir no seu funcionamento, verificar objetos repetidamente, tiver preocupação exagerada com saúde ou com alguém próximo, fique alerta.

É sempre indicado que os pais conversem com a criança e procure ajuda especializada. Quanto mais precoce for detectado esse transtorno, melhor sua evolução.

O tratamentamento é feito a base de inibidores da recaptação de serotonina (IRS) e psicoterapias de base cognitiva e/ou comportamental. A princípio deve-se começar com uma avaliação abrangente da criança e de sua família, com os objetivos de determinar sintomas e grau de interferência destes no funcionamento escolar, familiar e social, de estabelecer um bom vínculo com a criança, esclarecer a respeito da origem do quadro e fornecer suporte e orientação familiar.

 

 

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