Carga explosiva

Quando a intensidade dos sentimentos ultrapassa a sensatez

Viver todo os sentimentos com energia total nem sempre é uma coisa que traz bons momentos. Na verdade, está mais para os roteiros de Hollywood com amores impossíveis e personagens egocêntricos. Na vida real, viver os sentimentos a flor da pele pode ser desgastante. Ter explosões de raiva frequentemente, por exemplo, é uma maneira de demonstrar essa intensidade do que se sente e passa na sua cabeça. As pessoas com Transtorno de Borderline são assim, intensas.

 

Mas, ao mesmo tempo em que essa intensidade existe, o sentimento de vazio domina sua mente. É como se eles não tivessem uma proteção ao que ocorre no mundo exterior. Qualquer situação pode desestabilizá-lo e provocar sentimentos terríveis. O psiquiatra e psicanalista israelense Yoram Yovell, em seu livro O Inimigo no Meu Quarto – E Outras Histórias da Psicanálise (Editora Record) explica que o Borderline vive uma constante tempestade emocional. O sentimento de abandono e rejeição também são características, que podem ser ou não resultado de um desamparo real.

 

O psiquiatra e psicoterapeuta Dr. Erlei Sassi Jr. é coordenador do Ambulatório Integrado de Transtornos de Personalidade e do Impulso, no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O especialista fala sobre o aparecimento do transtorno: “aparece no fim da adolescência, no início da idade adulta. Entretanto, pela conjunção de traços já muito disrruptiva, eventos marcantes podem desestabilizar o paciente e romper em outros tempos de vida”.

 

A vida de uma Borderline

Nathália Musa relata que recebeu seu diagnóstico aos 33 anos, depois de passar um traumático relacionamento. “Eu tinha acabado de passar por um término de namoro muito complicado, de um relacionamento abusivo. Ele me tratava muito mal, gritava comigo, me humilhava verbalmente em discussões, e mesmo assim eu acreditava que não seria nada sem ele”, explica. Hoje ela percebe o quanto seus relacionamentos sempre foram muito intensos, com diversos altos e baixos. “Meu diagnóstico foi uma libertação pra mim”, desabafa Nathalia.

 

A intensidade com a qual sentia era um fardo para Nathalia, que após o diagnóstico entendeu o que acontecia com ela. “Tudo era sempre muito denso, eu tinha brigas horrorosas. Eu fazia muita coisa que hoje me arrependo, eu queria bater na cara, coisas assim que eram fruto do meu rompante de raiva”, menciona. Porém, ela achava que esse comportamento fazia parte da sua personalidade e que era simplesmente diferente das outras pessoas, e relata: “ao conversar com outros borders, eu percebi que no início a gente é mais corajosa que os outros, que eles não têm coragem de amar como a gente ama”.

 

 

 

O pior sintoma do transtorno era se sentir como um fardo para todos. Além disso, ela menciona que antes de receber o diagnóstico, com seus 20 e poucos anos, foi quando mais sofreu. “As coisas são mais difíceis para mim, uma perda ou uma situação que para os outros é normal, para mim é sempre muito intenso. Quando eu sofro, sofro muito. Quando estou alegre, fico muito alegre. Isso cansa bastante”, ressalta Nathalia. Obviamente ela destaca que não queria se sentir assim, queria que tudo fosse mais leve, mas ela afirma que não consegue. Ela observa que os parentes e amigos próximos devem colaborar na recuperação do Borderline, já que sozinha não é fácil.

 

Dr. Erlei Sassi também reitera isso, a abordagem familiar é muito importante para a recuperação do Borderline. As auto agressões também podem surgir em quem sofre com o transtorno. “Eu me cortava e pensava em morrer diariamente, foi por não largar o tratamento que consegui dar a volta por cima”, exclama Nathalia. Através da criação de um blog, o Borderine Girl, ela conseguiu ajudar muitas pessoas além de si mesma, já que pouco se falava sobre o transtorno na internet. Seu blog a ajudou a cessar com as auto agressões e se comprometer ainda mais com o tratamento.

 

Como é o diagnóstico de um Borderline?

Existem critérios que definem se uma pessoa tem ou não o transtorno, segundo Dr. Erlei, como: instabilidade dos relacionamentos interpessoais, autoimagem e afetos de acentuada impulsividade, esforços frenéticos para evitar um abandono real ou imaginado, instabilidade acentuada da autoimagem, impulsividade em pelo menos duas áreas potencialmente prejudiciais à própria pessoa (por exemplo, gastos financeiros, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente), recorrência de comportamento, gestos ou ameaças suicidas ou de comportamento automutilante, instabilidade afetiva, sentimentos crônicos de vazio, raiva inadequada e intensa ou dificuldade em controlar a raiva,  e ideação paranoide transitória relacionada ao estresse ou severos sintomas dissociativos.

 

A palavra cura gera muita controvérsia, polemica. Vou falar do que eu penso: se as pessoas melhoram a qualidade de suas relações, diminuem sua impulsividade, ficam muito menos autodestrutivas, será que não podemos pensar em cura? Acho que quando os sintomas se reduzem, as pessoas não sofrem, não fazem sofrer, podemos pensar em cura sim! – Dr. Erlei Sassi, psiquiatra e psicoterapeuta do Hospital das Clínicas da faculdade de medicina USP

 

Para quem acabou de receber o diagnóstico, não entre em pânico. Comprometa-se com o tratamento, mesmo se você achar que não vai dar certo. – Nathalia Musa, diagnosticada com o Transtorno de Borderline

 

PARA ACESSAR

Blog de Nathalia Musa sobre sua vida como uma Borderline.

http://borderline-girl.blogspot.com.br/

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