Depressão pós-férias, não!

O impacto da volta à rotina e como vencê-lo

As festas de fim de ano se foram, alguns ainda estão em férias, outros voltando à rotina. É comum que este processo exija uma readaptação que pode se transformar num grande drama. Trabalho, faculdade, academia, alimentação, filhos, família, contas a pagar, casa para arrumar – é extensa a lista de responsabilidades. E é natural que com isso venha o impacto da realidade versus as lembranças dos momentos de descontração, sol e pé no chão que as férias geralmente proporcionam. Muitas vezes, também, na ânsia de resolver às tantas burocracias do dia a dia, esquecemos de cuidar de nós mesmos.

Em pesquisa realizada pela “International Stress Management Association” no Brasil (Isma-BR), 82% das pessoas observadas indicaram perda dos benefícios obtidos nas férias em menos de uma semana de volta à rotina. Número esmagador se comparado aos 14% que conseguiram integrar esses benefícios ao dia a dia e aos outros 4% que permaneceram no mesmo estágio em que saíram de férias.

Segundo a presidente da Isma-BR, Ana Maria Rossi, Ph.D e doutora em psicologia clínica e comunicação verbal, no âmbito corporativo, muitos são os pontos que podem resultar em desmotivação após as férias, como a falta da liberdade em dormir, se alimentar e se vestir da forma como quiser, na hora em que quiser; a falta de reconhecimento por parte dos superiores; a falta de comunicação na empresa; insatisfação; falta de recursos para desenvolver seu trabalho; falta de gratificação; o medo de ser demitido; até mesmo a falta de luz solar (vitamina D).

Em casos mais graves estima-se que quase 24% dos que retornam de férias podem desenvolver a chamada depressão pós-férias – síndrome desencadeada pela incapacidade da pessoa se readaptar à sua rotina regular e que causa insônia, ansiedade, culpa e raiva. Questão séria e que deve ser investigada. “O indivíduo se sente desmotivado até mesmo para realizar tarefas básicas do seu dia, como levantar, tomar banho, escovar os dentes, fazer a barba”, cita Ana Maria.

Normalmente, a síndrome pode ser observada quando essa dificuldade de readaptação persiste por mais de duas semanas e vem acompanhada de sintomas físicos, como dores musculares, dor de cabeça, fadiga, insônia e problemas gastrointestinais, conforme aponta a doutora. É necessário, portanto, que inicialmente seja procurado um médico clínico, que avaliará as condições físicas desse indivíduo afim de comprovar ou não qualquer doença de ordem física. Descartada esta hipótese, geralmente é dado o diagnóstico de quadro depressivo e/ou doença psicossomática, que necessitará de acompanhamento psicoterapêutico.

Muitos dos diagnosticados conseguem reverter esse quadro em pouco tempo. Para isso, porém, é necessário que a pessoa se permita entender essa condição e as razões que a levaram a ela. Use esse momento para se abrir, mesmo que seja com um profissional, e para reavaliar sua vida profissional e pessoal. Você está feliz? Satisfeito? Você gosta do que faz? Tem dado o seu melhor? Sente prazer no ambiente de trabalho? Tem uma convivência agradável com seus colegas? Se a maioria das respostas for “não”, talvez continuar nesse ambiente possa apenas agravar essa sensação de impotência.

“Todo mundo quer se sentir útil e valorizado. No entanto, essa gentileza tem que partir de dentro. Temos que apreciar a nós mesmos e ao que fazemos”, comenta a presidente da Isma-BR. Além dessa visão positiva sobre nós mesmos, a certos passos que podemos levar em consideração para evitar um impacto maior neste retorno. Ana Maria sugere que aqueles que tirarem 30 dias de férias, por exemplo, devam retornar para casa pelo menos quatro dias antes da volta às atividades, para se organizar e poder regressar à rotina aos poucos. Além disso, alimentação balanceada e exercícios físicos regrados são bons aliados em qualquer situação.

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