A aprendizagem no tratamento de desordens mentais

Em entrevista, o psicólogo Leonardo Mascaro fala da relação entre neurociência e educação

A revista +Saúde conversou com o psicólogo e mestre em Neurociências Leonardo Mascaro sobre a questão da aprendizagem e como ela pode ser potencializada com a estimulação da atividade cerebral. Leia a seguir trechos da entrevista.

Revista +Saúde: Qual a relação entre neurociência e sua importância para a educação? Leonardo Mascaro: Hoje se sabe que a aprendizagem depende, fundamentalmente, de alguns fatores: ambientais, nutricionais, e neurológicos. Ou seja, se recebemos uma alimentação adequada mesmo antes de nascermos – com alimentação e hábitos saudáveis da mãe durante a gravidez – bem como durante toda nossa vida, se vivemos em um ambiente rico em estímulos, tanto afetivos quanto pedagógicos, em um ambiente familiar que propicie um desenvolvimento emocional sadio com um ambiente escolar e familiar que favoreça a aprendizagem e o desenvolvimento de nossas capacidades cognitivas, parte do desafio está resolvido.

Mas ainda falta aí um fator essencial: um cérebro capaz de aprender! E por que digo isto? Por que as últimas décadas têm sido extremamente férteis em descobertas científicas que vêm expandindo nossos conhecimentos e compreensão sobre a mecânica cerebral e, quando esta sofre alterações em seu funcionamento, produz deficiências que se manifestam tanto sob a forma das chamadas desordens mentais, como por exemplo, depressão e ansiedade, TDAH, TOC, dislexia, levando até mesmo a quadros de insônia, fadiga crônica e fibromialgia.

A verdade é que o conhecimento atual sobre o funcionamento cerebral indica que nossos cérebros são organizados em redes neurais e que, quando centros neurológicos destas redes sofrem desregulações, vão interferir com o pleno e adequado funcionamento das mesmas e, por tabela, com as funções pelas quais são responsáveis.

Assim, é fundamental realizar uma avaliação funcional da atividade cerebral de modo a mapear a existência de desregulações neurológicas que podem estar comprometendo a capacidade de aprendizagem ao interferirem com o processamento de funções cognitivas e executivas, como atenção/concentração, memória ou raciocínio, por exemplo.

 +S: Qual a relação entre memória/sistema nervoso e aprendizagem?

LM: A memória, para sua formação, depende de estruturas cerebrais mais profundas e específicas – chamadas estruturas límbicas, como hipocampo/formação hipocampal – e de sua adequada integração com a atividade de estruturas neurológicas neocorticais, localizadas nos lobos frontais e parietais, que depende diretamente de nossa capacidade de atenção e de sua elaboração cognitiva e consequente consolidação da informação.

Assim, qualquer alteração no funcionamento e integração destas estruturas e sistemas neurológicos vai produzir comprometimentos que necessariamente levarão a quadros que acabam sendo diagnosticados como de TDAH, por exemplo.

+S: Como o cérebro aprende?

LM: A aprendizagem, no cérebro, depende da capacidade de plasticidade neurológica. Quando aprendemos, sofremos uma quantidade enorme de modificações tanto funcionais quanto estruturais, que envolvem desde reconfigurações plásticas de redes específicas, até alterações estruturais, que vão facilitando a comunicação nestes novos sítios de neurotransmissão. Além disso, dependemos também, tanto da marcação química, por dopamina, quanto daquela de frequências específicas, sinalizadas por áreas cerebrais frontais a áreas motoras, para gravação – ou não – de uma nova aprendizagem. Os sistemas de recompensa são modulados, desta forma, tanto química quanto eletricamente, no cérebro. Daí que se vê, novamente, a sofisticada orquestração em redes necessária para que algo tão delicado como a aprendizagem de um novo conceito, por exemplo, possa se dar.

 +S: Quais são os benefícios multi-sensoriais para um bom aprendizado?

LM: A adequada estimulação dos diferentes sistemas neurológicos promove seu melhor desenvolvimento durante a infância, além de, posteriormente, enriquecer e afinar o funcionamento destas malhas neurológicas mais sofisticadas, que estão sempre e dinamicamente estabelecendo novas conexões, com maior integração e otimização do desempenho de cada uma de suas funções.

 +S: De que forma a plasticidade cerebral pode ajudar na concentração e em outras disfunções cerebrais criando novas possibilidades de aprendizado?

LM: Quando o cérebro sofre comprometimentos funcionais nas diferentes redes cerebrais estes sistemas neurológicos entram em estereotipias funcionais, isto é, tornam-se menos capacitados a responder plasticamente aos diferentes desafios de ação no mundo, o que significa dizer que tornam-se menos capacitados à formação de novas conexões/caminhos neurológicos necessários à experiência de aprendizagem cotidiana – seja ela acadêmica ou não. Assim, nossa capacidade de adaptação – e mesmo de sobrevivência! - é função direta da capacidade de plasticidade presente nas diferentes redes cerebrais.

O que é importante entender, aqui, é que o tratamento medicamentoso não tem condição de lidar com a complexidade e variabilidade dos diferentes quadros neurológicos presentes nas não menos diferentes desordens mentais. O tratamento ideal é aquele permite sua efetiva e definitiva modificação, com base em valores normativos (estatisticamente determinados) de normalidade para cada idade e sexo, e o faz de forma não invasiva e não medicamentosa. Esta intervenção, baseada na avaliação e identificação precisa dos sistemas neurológicos comprometidos, já existe e se chama neurofeedback por z-scores.


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