Déficit de atenção: a importância do diagnóstico diferencial

Apenas a análise clínica do paciente não é o bastante para a escolha do tratamento adequado

É muito comum se ouvir falar em déficit de atenção e é interessante notar como, atualmente, mais e mais casos como esse – tanto em crianças, quanto em adultos – vem sendo diagnosticados na população não só brasileira, mas em todo o mundo, indicando, juntamente com depressão e ansiedade, um fenômeno de escala mundial.

Mas como identificar, objetiva e claramente, o déficit de atenção? Quais estruturas cerebrais estão envolvidas neste comprometimento? Muitas vezes, apenas com o ponto de vista do exame clínico, pode ocorrer de que a doença seja confundida – com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), dislexia e anoxia, por exemplo – e acabar trazendo erros na conduta terapêutica a ser adotada. Então, como este caso pode e deve ser diferenciado de seus pares em cada caso? “A resposta para estas perguntas é uma só: pela realização do exame funcional e eletroencefalográfico, podemos obter a informação neurofisiológica que nos permite identificar – e tratar! – cada uma dessas condições adequadamente”, explica o psicólogo Leonardo Mascaro, mestre em Neurociências pela Universidade de São Paulo (USP).

Em seu mais recente livro “Para que Medicação?”, Mascaro fala que cada uma dessas condições apresenta uma assinatura eletroencefalográfica própria e bem distinta, que por si só já permitiria identificar e diferenciar, um em relação ao outro, cada um destes comprometimentos.  Leonardo ainda explica que para se fechar um diagnóstico seguro e preciso é necessário cruzar a informação eletroencefalográfica com aquela fornecida pelos exames funcionais, em que diferentes estruturas cerebrais apresentam comprometimento, em cada caso.

O principal sistema neurológico envolvido tanto nos casos de déficit de atenção (DDA/DDAH), quanto nos de TOC, é o giro do cíngulo. “No déficit de atenção, rompimentos anômalos de conectividade funcional entre o córtex do cíngulo anterior e posterior, bem como entre outras estruturas da linha mediana do cérebro – estruturas estas ativamente participantes de uma ampla rede de processamento da função executiva de atenção – levam a esta desordem do desenvolvimento neurológico”, esclarece o psicólogo.

Nos casos de DDA/DDAH, o cérebro destes pacientes parece incapaz de ativar a porção cognitiva dessa parte do cérebro, o córtex do cíngulo anterior, e isto ajudaria a explicar a origem da assinatura eletroencefalográfica com atividade mais lenta especialmente presente nesta região do hemisfério direito do cérebro. “Essas baixas de acoplamento funcionam, levam a padrões alterados de eficiência local, representados por atrasos na transferência da informação, especificamente nestas estruturas da linha mediana do cérebro, incluindo as áreas frontais, principalmente do hemisfério direito, que, no exame eletroencefalográfico, acabam por apresentar a assinatura neurológica que caracteriza o DDA/DDAH”, complementa Mascaro.

E, já que uma condição muitas vezes se assemelha a outra  (como um caso de DDA/DDAH pode parecer-se, clinicamente com um de TOC, e vice-versa) vale citar aqui como se diferencia uma condição da outra, complementarmente ao exame de assinaturas eletroencefalográficas. Se no DDA/DDAH o problema é ativar a porção cognitiva do córtex do cíngulo anterior, no TOC acontece ao contrário: é a atividade exacerbada do cíngulo anterior que contribui para seu desenvolvimento, explica Mascaro. Todas as estruturadas citadas anteriormente fazem parte de uma ampla rede de processamento da função executiva da atenção.

Para se ter uma ideia de como o diagnóstico correto é importante, o psicólogo destaca os casos da dislexia e anoxia. “No primeiro caso, o diagnóstico que a diferencia das demais condições anteriormente citadas se dá pela identificação da assinatura eletroencefalográfica para dislexia presente no lobo temporal esquerdo. Enquanto que na anoxia, a assinatura que a caracteriza, e que se aproxima muito daquela para déficit de atenção, vai ser identificada por ser encontrada em ambos os lobos frontais, esquerdo e direito, e não apenas no lobo frontal direito, como no caso do déficit de atenção”.

Com base em todas as informações é possível perceber que é apenas pela análise clínica do comportamento ou relato do paciente, seja ele adulto ou criança, não é possível fazer um diagnóstico seguro e corret, e, consequentemente, o tratamento poderá também não ser adequado.


BRAIN TECH – UNIDADE VITÓRIA DA CONQUISTA

Clínica Mundo Ímpar
Rua Paulo Filadélfio, 100, Candeias.
Fone: 77 3421-8479
www.braintech.com.br

ASSINE NOSSO BOLETIM

Cadastre-se e fique por dentro das novidades da revista

Matriz Ourinhos: (14) 3324-8862
Filial Vitória da Conquista: (77) 3422-4233

Matriz: contato@grpmais.com.br
Redação: redacao@grpmais.com.br

Matriz:
Rua Benjamin Constant, 499 
Vila Moraes - Ourinhos/SP
CEP: 19.900-041
 
Filial: 
Avenida Expedicionários, 753, Sala 1 
Cond. Vilarejo | Bairro Recreio - Vitória da Conquista/BA
CEP: 45.020-310

A REVISTA +SAÚDE FAZ PARTE DO GRUPO GRPMAIS
Revista +Saúde © Todos os direitos reservados

+SAÚDE na web:

Mudar minha localização