Síndrome de Irlen

O que vem a ser esse problema?

Se você percebeu que o seu filho tem problemas com o aprendizado e se queixa de dificuldade na hora da leitura, fique atento! Esses são alguns dos sinais da Síndrome de Irlen, uma alteração visual na percepção das imagens causada por um desequilíbrio da capacidade de adaptação à luz, provocando alterações no córtex visual e déficits na leitura. A síndrome pode acontecer simultaneamente com quadros de Déficit de Atenção, Hiperatividade, Dislexia, Disgrafia, entre outros, e os sintomas podem variar de forma bastante pontual e específica de paciente para paciente. Conversamos com a psicopedagoga e neuropedagoga Taneá Freire, da Clínica Mundo Ímpar em Vitoria da Conquista, para sabermos um pouco mais sobre as causas, sintomas e tratamento dessa doença. Confira a entrevista!

+Saúde: Como a Síndrome de Irlen foi descoberta pela ciência?

Taneá Freire: Na década de oitenta a Dra. Helen Irlen, psicóloga educacional da Universidade da Califórnia em Long Beach, envolvida em um projeto voltado para um melhor desempenho na leitura, observou que um grupo de indivíduos apresentava características bem peculiares em relação a percepção visual que diferem da dislexia clássica. Este trabalho de pesquisa envolvendo essas disfunções visuais foi apresentado após três anos à American Psychological Association em 1983, com o nome de Síndrome da Sensibilidade Escotópica por ser a fotofobia (sensibilidade ou intolerância à luz, provocada pela luz natural ou artificial) o sintoma mais descrito, mas falhas na resolução viso-espacial, restrição de alcance focal, manutenção do foco e percepção de profundidade foram queixas recorrentes. Atualmente esse conjunto de sintomas recebe o nome de Síndrome de Irlen.

+S: Quais são as possíveis causas para o desenvolvimento da Síndrome de Irlen e como é feito o diagnóstico?

TF: A Síndrome de Irlen tem caráter hereditário, em que indivíduos da mesma família apresentam a alteração em níveis iguais ou diferentes no que se referem a intensidade dos sintomas.  O seu diagnóstico não se baseia apenas na pesquisa de dificuldades na acuidade visual, mas sim de uma investigação da movimentação ocular e do processamento visual em nível cerebral. As dificuldades se devem principalmente a déficits no processamento das informações visuais pela via magnocelular. Precisamos ficar atentos pois a prevalência é alta e chega a atingir de 12 a 14% da população mundial.

+S: Como essa alteração pode ser detectada?

TF: Deve se estar atento a queixa de fotofobia (incômodo com a luminosidade natural ou artificial), distorções perceptuais no texto com letras desfocadas, sensação de movimento e ondulações das letras, cansaço durante a leitura, sensação de sonolência enquanto lê, leitura lenta, silabada ou com perdas por conta de troca ou omissões de palavras. Também costuma ser comum cefaleia, necessidade de piscar (astenopia), lacrimejamento, necessidade de esfregar os olhos, fazer movimentos de aproximação ou afastamento do texto, olhos vermelhos e irritabilidade. A percepção de profundidade pode se manifestar com falhas e ser percebida em atividades diárias como andar em linha reta, estacionar o carro, alcançar objetos e calcular distâncias.

Essas sensações causam muito desconforto e geram impactos negativos na compreensão do que está sedo lido, afetando tanto aspectos da habilidade de leitura como desequilíbrio comportamental e emocional, já que o indivíduo tende a se sentir frustrado por não conseguir fazer uma leitura fluente e prazerosa.  

+S: Esse problema afeta especificamente as crianças ou também os adultos e idosos?

TF: Não! Essa disfunção afeta também adolescentes, adultos e idosos. É bom salientar que pessoas que apresentam uma leitura fluente, estudantes universitários, indivíduos com inteligência normal ou superior a média, também podem apresentar a disfunção, pois a Síndrome de Irlen está relacionada a uma desorganização cerebral que altera as informações recebidas e processadas pelo sistema visual. Muitas pessoas adultas e idosas convivem com esses sintomas sem saber o que realmente tem, porque, na sua maioria, não têm consciência sobre suas distorções.

+S: Recebi diagnóstico da Síndrome de Irlen. Como devo proceder com o tratamento? Preciso usar óculos para corrigir o problema?

TF:  Uma vez sendo diagnosticada a Síndrome de Irlen por um Screeners, o paciente recebe um relatório com dados sobre seu desempenho em relação os testes e a indicação da Overlay (transparência de acetato) que é a sobreposição colorida que deve ser usada sobre textos e tela de monitor de computador. A família é orientada a procurar o Hospital de Olhos, em Belo Horizonte, caso queira fazer uso dos óculos com as lentes coloridas. Os óculos podem oferecer um conforto maior pelo uso constante em todo os ambientes.

+S: Apenas o uso dos óculos resolve o problema?

TF: Não. É preciso que fique claro a importância dos terapeutas e sua intervenção diante da demanda apresentada pelo paciente. Dessa forma o trabalho do fonoaudiólogo, psicólogo, psicopedagogo, neurologista, terapeuta ocupacional entre outros é de muita relevância para o sucesso do tratamento.

+S: Onde encontrar um profissional que possa fazer o diagnóstico correto do Irlen a fim de proporcionar um tratamento adequado?

TF: A identificação da Síndrome de Irlen é feita por profissionais da saúde e educação devidamente capacitados a identificar (teste de screening ou rastreamento) o indivíduo com essa condição e, através da aplicação de um protocolo padronizado conhecido como Método Irlen, classificar o grau de intensidade das dificuldades na percepção das imagens. O processo de avalição acontece em três momentos: sessão de anamnese, uma sessão de aplicação dos testes e uma sessão de devolutiva. O Espaço Mundo Ímpar conta com um profissional devidamente capacitado para essa avaliação.

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