“Todo amor que houver nessa vida”

Partilhar a vida com um amor faz bem para a alma

Por Maria Amanda Silveira

Carlos Drummond de Andrade já dizia: “Que pode uma criatura senão, entre criaturas, amar?”. Algumas pessoas responderiam de uma forma nada poética e até em tom de deboche: Ah, Drummond! A criatura pode pedir uma pizza numa noite de sexta e maratonar séries da Netflix, sair com amigos para beber e curtir a noitada, além de manter relacionamentos casuais para os momentos de carência, se assim a criatura preferir, é claro. A nova geração costuma ter preguiça dos inícios e medos dos finais, por isso tendem a fugir do amor quando ele se aproxima.

O sociólogo Zygmunt Bauman defende a sua teoria do “amor líquido”, que é um amor “até segundo aviso”, em tempos onde nada é feito para durar e só permanece enquanto satisfaz. Isso pode até ser uma teoria comprovada, mas a verdade é que todo mundo quer, e precisa, de amor, ainda que não seja uma prioridade na vida e não dure para sempre. A gente quer essas coisas que só o amor faz: sentir palpitações no coração, borboletas no estômago, ter um colo e cafuné depois de um dia cansativo, dormir de conchinha, partilhar os planos, se aventurar na cozinha, descobrir juntos novos lugares pelo mundo, enfim...dividir os bons momentos da vida!

E quando optamos por começar um relacionamento a dois é necessário entender que, a partir dali, tudo irá envolver responsabilidades emocionais e o contato direito com um mundo que não é seu, mas, claro, sem esquecer de respeitar a individualidade do outro. A terapeuta Cristina Longhi, que atua no Brooklin, em São Paulo, explica que antes de tudo há que se compreender que para conhecer o outro é preciso paciência. “Com o tempo podemos observar se realmente existem combinações importantes como respeito e aceitação em relação às diferenças. O mais importante é entender que devemos buscar no outro companheirismo ao invés de soluções. Quando alguém se relaciona por algum tipo de interesse específico, a relação tende a não ir para frente pois não existe real comprometimento. Ambos devem olhar para a mesma direção, mas cada um na sua estrada”, afirma.

E, muito além disso, a intimidade também é uma peça chave para nutrir uma boa relação. “Quanto maior intimidade, maior segurança vai sendo gerada. Quando isso não existe pode gerar desconfiança e insegurança em relação ao futuro. Mas deve se ter um limite com esta intimidade, em que cada um deve respeitar o espaço do outro. Compartilhar intimidade é diferente de prestar conta”, alerta a especialista.

Por isso, o ideal é que o casal esteja focado no que realmente importa: viver o momento presente e enxergar o futuro. A terapeuta defende que o que aconteceu nos relacionamentos anteriores deve ser guardado com carinho e como experiência pessoal de cada um e não deve ser compartilhado para que não haja comparações e nem expectativas. “Em um relacionamento onde ambos estão maduros não existe a expectativa de consertar nada por meio do outro, somente compartilhar a vida e continuar crescendo pessoalmente através do companheirismo, respeito e carinho um pelo outro”, pontua.

E é normal que as pessoas se perguntem: então como devo me comportar emocionalmente para que meu relacionamento seja saudável e duradouro? Cristina ressalta a importância de entender que jamais os papéis podem ser trocados. Nenhum dos dois deve assumir, por exemplo, o lugar de ‘filho’, ‘mãe’, ‘pai’ ou ‘irmão’ do outro e vice versa. Ninguém deve ser usado para suprir uma necessidade emocional. “O comportamento ideal num relacionamento é aquele onde cada um tem no outro uma ajuda extra e não a ajuda principal. Casais competentes emocionalmente nunca jogam as próprias frustrações em cima do outro. Portanto, se algo não vai bem no relacionamento é preciso antes olhar para si mesmo e entender as próprias frustrações para encontrar um caminho para resolvê-las antes de achar que o outro é culpado. Pessoas emocionalmente bem resolvidas entendem que se relacionar trata-se de ter um companheiro de jornada ao invés de acharem que o outro tem o papel de resolver a sua vida”, alerta a psicóloga.

É certo que quando se trata de relacionamentos cada um tem a sua própria receita, suas experiências, escuta os conselhos mais diversos possíveis e, assim como diz o compositor Léo Jaime, busca sempre encontrar a tal fórmula do amor.  No final de tudo você vai entender que o importante mesmo é cultivar os melhores sentimentos em si e despertar isso no outro. Aprender a lidar com as suas inseguranças e com as inseguranças do outro também. E, cá para nós, é exatamente isso: no amor é preciso enxergar “o outro”. Até porque a gente sabe que não existem fórmulas para o amor, basta buscar viver um relacionamento saudável e carregado de leveza, porque amar faz bem para a alma.

E quem sabe, as céticas criaturas se rendam os versos de Drummond e resolvam, com um amor, dividir a pizza numa noite de sexta, a maratona de séries, os drinks da noitada e, porque não, dividir a vida?

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