Deixa a criança brincar!

Crianças ativas se desenvolvem melhor. Os benefícios são tanto físicos quanto cognitivos

O sedentarismo adoece! Frase forte, mas ancorada em diversos estudos, como o publicado pela revista inglesa The Lancet, em que pesquisadores comparam os malefícios da inatividade física aos do tabagismo. Agora, pare para pensar em como isso afeta à vida de uma criança. Segundo a pedagoga Madga Asenet, crianças que não correm, brincam, fantasiam e criam acabam por viverem num mundo muito pouco produtivo, sem expectativas, além de adoecerem e se frustrarem com mais facilidade.

Já crianças que brincam utilizando o corpo adquirem maior coordenação motora, equilíbrio, força muscular e um melhor funcionamento do aparelho cardiorrespiratório. Como corpo e cérebro estão unidos, todos estes benefícios corporais se expressam também nas habilidades cognitivas, pois a prática de exercícios físicos auxiliam no prazer, na atenção e concentração. “Crianças que brincam de maneira ativa, exercitando-se, entram mais em contato com o meio e com isso socializam mais, conversam mais. Ou seja, desenvolvem habilidades sociais importantes”, pontua Luciana Brites, psicopedagoga da Neuro Saber.

Todos estes fatores afetam também ao desempenho escolar dos pequenos. Pesquisa realizada pela Universidade de Vrije, na Holanda, mostra dados que indicam a relação entre performance acadêmica e atividade física. Constatou-se que o exercício físico possibilita aumento do fluxo de oxigênio para o cérebro, o que melhora os níveis de neurotransmissores, que reduzem o estresse e melhoram o humor.

As crianças ativas tendem a ser também mais curiosas, exploradoras. “O prazer ensina!”, ressalta a pedagoga Madga. “Este prazer se dá nas relações, nas descobertas e na criatividade.” O sedentarismo encobre toda forma de enriquecimento da aprendizagem, além de poder provocar doenças como obesidade e depressão. Questões que além de prejudiciais à saúde, mal administradas nos ambientes onde a criança frequenta, como o escolar, podem levar ao bullying – tornando a criança ainda mais introvertida.

É claro, deve-se sempre respeitar o tempo, os limites e o ritmo da criança. Madga ainda ressalta que cada uma terá sua personalidade, algumas mais calmas, outras mais agitadas. Por isso, cabem aos adultos, também, respeitar e ensinar o respeito às diferenças, além de incentivá-las à prática de atividades.

“Uma criança que é estimulada a correr, brincar, se exercitar, vai melhorar cada vez mais suas habilidades psicomotoras e cognitivas”, aponta Luciana, psicopedagoga. Deve-se incentivar a criança de forma cautelosa, porém, para que ela não sinta-se forçada e crie antipatia à certa atividade. “Comece levando a parques ou mesmo no quintal de casa, resgatando brincadeiras tradicionais como pular corda, amarelinha”, indica Luciana.

Já para as crianças mais ativas ou que possuem algum transtorno de hiperatividade, por exemplo, a psicopedagoga sugere a prática de esportes, que podem fazer tanto com que a criança descarregue suas energias quanto com que ela desenvolva mais disciplina.
Outro ponto importante é o exemplo, quando os pais ou responsáveis participam dessas atividades, estão tendo a oportunidade de conhecer mais à criança e de promoverem uma interação familiar muito importante para o desenvolvimento dela. “Menos videogames, celulares e computadores, e mais rotinas ao ar livre, como andar de bicicleta, nadar no mar, construir castelo de areia, ir ao cinema, viajar, jogar bola. Ser feliz faz toda a diferença!”, finaliza Madga.

 

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