Ainda é cedo para ser mãe!

Elas têm optado cada vez mais pela maternidade tardia

O desejo e as prioridades das mulheres mudaram junto com elas ao longo dos anos. A busca pela realização profissional e independência financeira fizeram com que o desejo de ser mãe ficasse em segundo plano. Nem sequer o famoso “relógio biológico” foi capaz de antecipar a maternidade na vida de muitas delas.

“A inserção da mulher no mercado de trabalho, acompanhada pelo movimento feminista que ganhou força nas últimas décadas do século passado, são os principais responsáveis pelo aumento da média de idade das mulheres que têm seu primeiro filho. Isso porque no mercado competitivo e no sonho de se construir uma carreira bem-sucedida, muitas vezes o tempo é um fator crucial. Fazer uma faculdade, casar-se e curtir uma vida a dois no matrimônio têm precedido o desejo à maternidade”, explica o Especialista em Educação e Psicanálise, Sérgio Porfírio.

Antes precisamos lembrar da diferença entre ter um filho e ser mãe. Sérgio afirma a maior parte das mulheres pode ter um filho, mesmo àquelas que tem alguma limitação biológica e recorrem às possibilidades que a medicina oferece para viabilizar uma gravidez. Já “exercer a função materna é o maior desafio! Ser mãe requer uma troca física e emocional com a criança a ponto de gerar laços indissolúveis no decorrer da existência dos dois. Assim, a função materna é sempre bem-vinda em qualquer idade!”, diz o psicanalista.

A maternidade tardia pode vir acompanhada de estabilidade financeira para criação da criança, bem como um olhar mais maduro da mulher que pode até criar uma certa dependência entre os dois por conta do excesso de zelo. “Não é só ter um filho, a maternidade precisa ser consciente e responsável”, declara a psicóloga Maria Drummond Gruppi, especialista em primeira infância e com atuação em São Paulo

Mas, em contrapartida, também podem haver algumas limitações e prejuízos nessa relação entre mãe e filho, já que “uma mãe mais velha pode não ter tanta resistência física para lidar com uma criança pequena, às vezes falta paciência, está assoberbada de trabalho e acaba delegando sua função para outras pessoas ou para uma escola de tempo integral. Geralmente nessa fase da vida, os pais optam por ter apenas um filho por inúmeras razões, mas uma coisa é ter um filho com 25, 26 anos, outra coisa é você ter um filho com 38 anos”, afirma Maria.

Agora falando em termos biológicos, será que as chances de uma mulher engravidar mais tardiamente são menores? O neuropediatra do Instituto NeuroSaber, Dr. Clay Brites, contas que as chances de uma mulher engravidar acima dos 35 anos caem de forma significativa.  “Em caso de necessidade de fertilização in vitro, a chance de sucesso deste método é de apenas 31% em mulheres acima dos 35 anos e, após os 42 anos, cai para 5%”, explica.

A gravidez de uma mulher mais madura também pode implicar riscos gestacionais, de acordo com Dr. Clay, entre eles a instabilidade emocional por causa da dificuldade em engravidar (baixa autoestima, instabilidade conjugal, sensação de incapacidade) e aumento do risco de complicações na gestação – sangramentos, nascimentos prematuros e/ou baixo peso, hipertensão arterial, aborto espontâneo, gemelaridade, parto cesariano e pré-eclâmpsia. Também “é importante saber que gravidez tardia aumenta o risco de ter filhos com transtornos de desenvolvimento (como Autismo e Deficiência Intelectual), assim como portadores de síndromes genéticas (o mais clássico é a Síndrome de Down, onde o risco dobra a cada ano acima dos 35 anos)”, destaca o neuropediatra.

Um dos maiores benefícios da maternidade tardia, sem dúvidas, é o planejamento. Mas cada caso é um caso! “O que mais preocupa é a mulher que responde à demanda temporal da sociedade para se tornar progenitora. Neste caso ela terá mais dificuldade em exercer a função materna. Daí é muito importante que a mulher, independentemente da idade, se sujeite apenas ao desejo de ser mãe. Precisa-se, no contexto atual, valorizar a liberdade de expressão e respeitar o tempo e a história de cada mulher. E, o mais importante e que humaniza a sociedade, é que toda criança tenha uma mãe, seja ela da idade que for!”, finaliza o psicanalista Sérgio.

 

FUI MÃE DE 4 DEPOIS DOS 40

Quando nos casamos eu já tinha 31 anos e priorizamos a carreira como muitos casais hoje em dia. A chamada da maternidade aconteceu pra mim com 34 anos, até então queríamos uma família, mas nunca tive pressa. De repente, algo estalou dentro de mim, parei de tomar anticoncepcional e tentamos por 6 meses sem sucesso. Procuramos um especialista em fertilidade, fizemos exames e tentamos a Fertilização in Vitro. Foram 6 anos de tratamentos, 9 fertilizações até eu conseguir aos 41 anos ser mãe da Larissa. Quando quisemos dar um irmão a ela, fizemos uma nova FIV e aos 43 anos virei mãe de trigêmeos.

O maior desafio de ser mãe aos 40 foi, primeiro pelo risco da gravidez tardia e depois com o risco da gravidez múltipla. Enfrentados estes desafios, apareceu o cansaço físico, afinal as crianças tem uma energia inesgotável. Piorou muito com os trigêmeos, pois eu tinha que me desdobrar para dar conta de 4 filhos 24 horas por dia.

Talvez trocaria minha maternidade aos 40 por uma aos 30, 32... mas não aos 25 anos quando me faltaria maturidade, paciência e estabilidade. Claro que eu teria muito mais energia, principalmente para uma maternidade múltipla, mas acredito que aconteceu no momento que tinha que acontecer e digo mais, nos traz jovialidade, nos faz valorizar mais cada dia e mudar nossos hábitos.

Andréa Jacoto - www.maedeproveta.com.br

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