Meu filho está demorando para falar...

Será que a criança tem problemas no desenvolvimento da linguagem?

Quem nunca presenciou aquela pequena disputa entre os pais para ensinarem o bebê a falar “mama” ou “papa” primeiro? Esse momento é sempre muito especial, mas a verdade é que a criança já começa a desenvolver a linguagem desde muito cedo, mesmo antes dos seis meses de vida. Além de já conseguir reconhecer rostos familiares e objetos, sorrir para si mesma no espelho, seguir o movimento de objetos com os olhos e até observar atenciosamente a face de quem interage, nesta fase ela já compreende o próprio nome.

 “A criança começa a se comunicar com o olhar quando está mamando. Essa é a primeira forma de comunicação - o olhar. O bebê deve balbuciar com seis meses e começar a falar com um ano. São marcos de desenvolvimento que geralmente ocorrem. E se não acontecerem, é muito importante procurar um fonoaudiólogo”, afirma a Dra. Camila Vila Nova, fonoaudióloga e neurocientista que atua em Salvador, na Bahia.

Os primeiros fonemas emitidos são com as letras /p/, /b/ e /m/ para formar sons como “papá”, “babá” ou “mamá”. Segundo a fonoaudióloga, esses são considerados os fonemas mais fáceis de serem pronunciados. “Se a criança já tem mais de um ano de idade e não emite sons com esses fonemas, pode ter um sinal de atraso. Mas devemos considerar que existe uma variabilidade do processo de aquisição dos fonemas entre as crianças. Isso vai depender do fator hereditário e da estimulação ambiental que é dada à criança”, explica a especialista.

Durante o processo de desenvolvimento da linguagem, a compreensão acontece antes da expressão, ou seja, a criança vai compreender uma palavra e somente alguns meses depois vai conseguir dizê-la. Após o primeiro ano de vida elas apresentam outros marcos de desenvolvimento.  Já entendem o significado do “não”, imitam os sons e tentam repetir as palavras ou acompanhar uma música. Conseguem seguir instruções simples, apontar partes do corpo, entender um número maior de palavras mais do que já conseguir pronunciá-las, pedir as coisas que desejam e até poder responder algumas questões com sim ou não.

Outros marcos importantes devem acontecer ao longo dos dois até os três anos de idade, como produzir onomatopeias, falar frases pequenas (mais água, qué papá), usar algumas palavras descritivas (quente/frio, grande/pequeno), seguir ordens mais complexas e fazer perguntas usando o “quem”, “onde”, “por que” e “o que”. Também é importante que, nesse processo, o adulto tente entender o que a criança está querendo lhe dizer.

De acordo com dados da Sociedade Portuguesa de Neuropediatria (SPNP), o atraso ou perturbação da linguagem atinge cerca de 5 a 10% das crianças em idade pré-escolar. Por isso muitos pais se questionam se frequentando a pré-escola, o filho não conseguiria melhorar o desenvolvimento da linguagem. A fonoaudióloga afirma que “a fala surge com o tempo e os estímulos ambientais são muito importantes para que ela ocorra. Por isso, a escola é um meio social que vai auxiliar o aparecimento da linguagem”.

Para boa parte dos pequenos o desenvolvimento da linguagem acontece de forma natural. Mas é preciso que os papais fiquem atentos aos marcos! Se a criança não atingir o esperado, pode ser um indício de algo mais sério. “As alterações de linguagem, como são tecnicamente chamadas, podem ser de ordem neurológica - como o autismo, a paralisia cerebral, o TDL (Transtorno do Desenvolvimento da Linguagem) - e as apraxias infantis, que são as dificuldades em programar e dar sequencia a movimentos”, afirma Dra Camila.

Segundo a SPNP, para que a criança desenvolva a linguagem é necessário ter um nível cognitivo adequado, a audição mantida e o aparelho fonatário íntegro (estruturas envolvidas no movimento da fala).  Além disso, a criança deve ser estimulada e ter vontade de se comunicar. Se isso não ocorre, é de se esperar que ela possa apresentar uma das alterações citadas acima.

Por isso, é muito importante que os pais, educadores e cuidadores que fazem parte da rotina diária da criança observem como ela se comunica. A especialista ainda orienta: “Procure um fonoaudiólogo com experiência na área de linguagem infantil ao perceber o primeiro sinal que seu filho deixar de apresentar, respeitando os marcos de desenvolvimento”.

Deixar o tempo passar e esperar que a criança desenvolva a fala por conta própria pode ser um desperdício de um tempo valioso para intervenção que é feita por meio da reeducação e treino em terapia da fala. Além disso, o diagnóstico precoce é fundamental para prevenir o isolamento social e futuros problemas emocionais na vida dos pequenos.

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