Você se aceita como você é?

As críticas alheias podem ter um impacto negativo na vida de muita gente...

Se você acompanha as redes sociais deve ter visto recentemente que a atriz Bruna Marquezine usou o seu perfil no Instagram para desabafar sobre comentários maldosos que recebeu nas suas postagens. As críticas foram relacionadas ao seu corpo: alguns de seus seguidores achavam que ela estava “magra demais”. Ela contou abertamente sobre a luta que travou no passado contra a depressão, o distúrbio alimentar e de imagem depois de ter sua autoestima abalada após ler comentários como estes

Segundo Heloísa Capelas, especialista em inteligência comportamental e Diretora do Centro Hoffman, em São Paulo, fatores como o autoconhecimento e a inteligência emocional auxiliam na hora de lidar com este tipo de situação. "Ninguém se cura apenas falando para o outro parar de nos machucar. A cura vem através de uma decisão de não permitir que fatores externos tenham o poder de nos ferir. Este é o primeiro e mais importante passo para o autoconhecimento", afirma.

Mas, para começo de conversa, o que é a autoaceitação? Heloísa explica que este sentimento está diretamente ligado ao autoconhecimento e ao amor próprio. “A autoaceitação só é possível a partir da minha habilidade de me enxergar como sou, de me perceber com meus erros e acertos, e de me amar exatamente assim, afinal, é justamente esse conjunto de características que me transforma num ser raro e único – digno de aceitação e de amor”, pontua a especialista.

Muitos motivos podem levar à falta de autoaceitação, mas a especialista nos alerta sobre o período da infância - que seria uma das responsáveis por uma série de valores que nos guiam ao longo da vida. “É dessa época que trazemos as referências sobre certo ou errado, feio ou bonito, magro ou gordo, inteligente ou burro, dentre tantos outros exemplos. O problema é que, na grande maioria dos casos, essas referências ficam impregnadas no nosso inconsciente e, por isso, não estão tão claras ou acessíveis. A verdade é que, por melhores que tenham sido as pessoas que conviveram conosco durante a nossa infância, eventualmente, num ou noutro momento, elas fizeram com que nos sentíssemos errados, feios, burros e, em suma, não-amados ou indignos de receber amor”.

Assim, o tempo passa, viramos adultos inconscientes de memórias tão negativas e continuamos presos à crença de que não somos dignos de receber amor por sermos imperfeitos, e aí começa a busca incessante pela perfeição na vida adulta. A especialista ainda explica que é preciso adquirir a consciência de que não existe um ser humano perfeito, todos têm o bem e o mal. “Tão ou mais perigoso que o olhar alheio, é a autocrítica excessiva”, lembra a especialista que ainda complementa: “Se não desenvolvermos a habilidade de reconhecer e valorizar nossas vitórias, em detrimento das eventuais falhas e derrotas que aconteçam pelo caminho, teremos uma vida de frustração. Por outro lado, se desenvolvermos essa atitude positiva, muito provavelmente as críticas ruins das outras pessoas não irão agregar em nada”.

Identificar as fragilidades dentro de si é aprender a se aceitar como você é. Também é importante ter a consciência de que não podemos exigir que outras pessoas nos vejam e nos aceitem como queremos. "É complicado lidar com turbilhões de sentimentos quando os nossos defeitos ou fragilidades são externados ao mundo, ou para a comunidade em que habitamos. Ter a maturidade para lidar com as críticas é um exercício constante de inteligência emocional", explica Heloísa.

Mais ainda: a inteligência emocional nos permite lidar com as situações com mais bom senso. Pessoas inteligentes emocionalmente conseguem enxergar os problemas como obstáculos necessários para o próprio crescimento e desenvolvimento pessoal.  Também ganhamos no que diz respeito à forma como nos relacionamos com as pessoas e com o nosso entorno. Conseguimos criar empatia com mais facilidade e, por isso, melhora-se também os relacionamentos.

Ainda segundo Heloísa, tudo o que sentimos é de nossa responsabilidade. "Cada um faz o que acha que deve fazer, porém, se atitudes externas estão te magoando, é necessário que você tenha autorresponsabilidade sobre seus sentimentos para depois buscar ajuda. O grande paradigma dessa discussão é que geralmente o erro é sempre do outro, por isso é difícil perdoar", afirma a profissional, que completa: "o perdão é uma inteligência emocional, por isso, cada vez que você se livra daquele sentimento de angústia ou rancor, você deixa de reviver situações que provocam reações químicas adversas em seu organismo".

A especialista ainda destaca: “o amor-próprio é a mais profunda forma de autoaceitação, que vai muito além daquilo que é passível de mudança em nós mesmos”.

O mais importante disso tudo – como disse a atriz Bruna Marquezine nos vídeos postados na sua rede social – é que a gente se sinta bem com o nosso corpo, nosso eu. É fundamental aceitar-se e ser feliz, do jeito que se é! A saúde – física e emocional - é a única coisa que deve realmente importar em todos os casos.

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