Quem diria? Vinho faz bem para a saúde

O vinho, apesar de estar presente há muitos séculos na trajetória da humanidade, vem, atualmente, exercendo um fascínio cada vez maior sobre o homem. Esse fascínio, entretanto, não se deve apenas à riqueza de sensações que um bom vinho pode nos proporcionar, aguçando-nos os cinco sentidos (visão, olfato, paladar, tato e audição). É cada vez maior o interesse de cientistas e pesquisadores em estudar as propriedades dessa bebida e seus benefícios para nossa saúde.

A revista Mais Saúde foi ouvir Jean Claude Cara, um meio-francês que reside em Ourinhos e, podemos dizer, um especialista em vinhos, já diplomado em 2 módulos do principal curso da Wine & Spirits, o mais conceituado do mundo.

Jean nos conta que, desde a década de 50, o vinho vem chamando atenção dos especialistas para suas virtudes terapêuticas. “Foi através de um estudo de 1991 da Organização Mundial de Saúde que surgiram as primeiras constatações, quando se revelou o chamado “Paradoxo Francês”, concluindo que a ingestão regular e moderada de vinho reduziria em 40 a 60% o índice de mortes por doenças cardiovasculares”, relata.

Sabe-se que os fatores de risco para doenças do coração, são: consumo de gordura saturada, nível de colesterol sérico, pressão arterial, índice de massa corporal, tabagismo e sedentarismo. Apesar dos franceses ingerirem mais gordura saturada - em função da culinária francesa se utilizar muito de manteiga, queijos, patês -, fumarem mais e serem sedentários, através deste estudo, constatou-se que o índice de doenças cardiocirculatórias em sua população correspondeu à metade, se comparado com outras populações de mesmo nível sócio-econômico e cultural.

            Após essa revelação, conforme Jean, muitos cientistas alegaram que esse fenômeno se devia ao efeito vasodilatador do álcool sobre as artérias. “Mas, em 1995, outro estudo, publicado no British Medical Journal, analisou os consumos de vinho, cerveja e licor em 24 mil pessoas, num período de 12 anos. Apenas o vinho tinto tinha diminuído a taxa de mortalidade. Provou-se, portanto, que havia algo de diferente no vinho tinto”, explica Jean.

Posteriormente, os americanos, ao pesquisar sobre os “radicais livres”, descobriram os polifenóis, fitoquímicos que, além de dar coloração às frutas e vegetais, também possuem ação anti-inflamatória e antioxidante. Além disso, essa substância ativa a enzima que ajuda a restabelecer os níveis celulares de ATP (a forma de energia que utilizamos). Sua ação anti-inflamatória se deve à inibição de proteínas inflamatórias que ocorrem quando o sistema imune é ativado.

Os polifenóis (em cerca de 200 tipos) são encontrados na casca e nas sementes das uvas. Por isso, estão mais concentrados no vinho tinto, em cuja fabricação estes elementos da fruta são utilizados.

Os principais fitoquímicos no vinho tinto são os flavonóides e o resveratrol, inibindo significativamente a oxidação dos lipídios e o colesterol das membranas celulares. A causa principal da doença coronária é a oxidação das células da parede das artérias, pelo que estes agentes antioxidantes são de primordial importância para impedir a formação de placa e consequente estreitamento arterial.

Esse efeito auxilia também na diminuição de 40 a 60% do risco de Acidentes Vasculares Cerebrais isquêmicos (quando há uma obstrução de vasos, diminuindo o aporte sangüíneo), que representam 70% das ocorrências de AVC. Já o consumo abusivo (mais de 5 copos/dia) aumenta o risco de AVC hemorrágico (em que os vasos se rompem e extravasam sangue no tecido cerebral). Por isso, o consumo deve ser moderado.

O agora ourinhense Jean Claude vai mais longe. Segundo ele, estudos mais recentes realizados nos Estados Unidos mostram ainda que o resveratrol auxiliaria no combate ao câncer. “Pesquisa feita por 2 biólogos moleculares da Universidade da Carolina do Norte (EUA), publicada em junho de 2000, relata evidências de que esta substância, encontrada na casca da uva, promove a morte das células cancerígenas por meio da inibição de uma proteína específica”.

Além disso, conta Jean, o resveratrol se mostrou um agente anti-envelhecimento. Pesquisadores de Harvard conseguiram com ele ativar o gen Sir2, que estabiliza o DNA e com isso diminui o declínio celular. Dessa maneira, eles conseguiram aumentar em 70% a vida de alguns seres unicelulares e em 33% a da mosca da fruta. Esses são dados experimentais e em animais muito simples, mas são animadores.

Particularmente aqui no Brasil, o químico gaúcho André Souto, da PUC do Rio Grande do Sul, em um trabalho inédito, analisou os tintos nacionais e concluiu que estão entre os vinhos com maior concentração dessa molécula promissora, perdendo apenas para os vinhos franceses.

Com tudo isso, nosso entrevistado aconselha a ingestão do vinho sempre acompanhando as refeições, com muita moderação, sendo o indicado para as mulheres 1 taça/dia, enquanto que os homens podem se permitir de 2 a 3 taças/dia.


 

 

(quadro 1 com tópicos para entrar ao lado da matéria principal)

 

Vinho e Coração

 

1. Aumento do Colesterol HDL, principalmente as frações HDL2 e HDL3 –

considerado o bom Colesterol pelas ações benéficas que exerce ao

sistema cardiocirculatório.

2. Diminui o Colesterol LDL e sua oxidação – situação inicial do processo de

Aterosclerose;

3. Diminui a agregação plaquetária e o fibrinogênio e aumenta a atividade

fibrinolítica e antitrombina – todas ações que dificultam a formação de

coágulo, que é a causa principal de oclusão dos vasos sangüíneos, fato

este que causa infarto do miocárdio, derrame cerebral e gangrenas;

4. Modifica a camada interna dos vasos sangüíneos – o endotélio, alterando a

produção de óxido nítrico e diminuindo outras moléculas de adesão ao

endotélio, dificultando dessa maneira a Aterosclerose;

5. Aumento da resistência e elasticidade da parede vascular;

6. Dilata os vasos sangüíneos diminuindo a resistência ao trabalho do

Coração.

 

 

(quadro 2 com tópicos para entrar ao lado da matéria principal)

 

Trombose – um dos benefícios do vinho é sua ação anticoagulante ajudando muito a prevenir tromboses.

Úlcera - estudo americano sugere que consumo de vinho protege contra a úlcera não havendo contra indicação, apenas para casos de hepatite e cirrose.

Hipertensão - Estudo inédito feito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) com ratos hipertensos mostrou que aqueles que receberam um extrato de vinho (sem álcool e água) tiveram queda na pressão arterial de até 30%. experimento foi feito com um Cabernet Sauvignon

Mal de Alzheimer - Além de benéfico para doenças cardíacas, cânceres e úlceras, o vinho protege contra o Mal de Alzheimer. Segundo especialista, o consumo diário, moderado, da bebida reduz em 75% a chance de desenvolver a doença.

Problemas cardiovasculares - redução de até 50% (estudo do Hospital Corporativo de Epidemiologias da Dinamarca). Contribui na diminuição do mau colesterol e aumenta o colesterol saudável, torna o sangue mais fino, é anticoagulante e antioxidante. Aumenta a formação de óxido nítrico, importante para a dilatação dos vasos coronarianos.

Câncer - Pesquisas confirmam que o vinho reduz em 24% o risco de câncer.

Tumores Malignos - Beber vinho em doses moderadas continua sendo um bom remédio. Estudo publicado na edição atual do Journal of Thrombosis and Haemostasis mostra que, entre as pessoas que costumam ingerir álcool, aquelas que bebem exclusivamente vinho têm menos chances de desenvolver determinados problemas de saúde do que as que tomam cerveja ou uísque, por exemplo. Segundo os pesquisadores, a principal proteção da bebida seria no sistema cardíaco. Além disso, como alguns antioxidantes típicos das frutas também aparecem na bebida, tumores malignos também seriam menos freqüentes nos apreciadores da bebida à base de uva.

Gripes e resfriados – o vinho aumenta a imunidade contra gripes e resfriados.

Pedras nos rins - diminui a ocorrência de pedras nos rins.

Diabetes - auxilia a prevenir o diabetes.

Catarata - Um dos maiores problemas de pessoas com mais de 65 anos é a catarata. Pesquisas comprovam que a ingestão de vinho, diariamente, reduz em até 34% os riscos de adquirir a doença.

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