A DOENÇA DA MULHER MODERNA

Até 15% das mulheres em idade fértil sofrem com a endometriose. Você faz parte desse grupo?

Recebendo o título de “doença da mulher moderna”, os casos de endometriose não param de aumentar em todo o mundo. Com cerca de duas milhões de novas mulheres diagnosticadas a cada ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) já contabiliza mais de 180 milhões de pacientes. Número que pode ser ainda maior ao considerarmos os diagnósticos tardios e muitas vezes inexistentes. Mas, afinal, o que é a endometriose e por que ela vem afetando entre 10% a 15% das mulheres em idade fértil atualmente?

 

“A doença se configura pela presença de tecido do endométrio, camada que reveste o útero e que é expelido durante a menstruação, para fora da cavidade uterina. Esse tecido pode se alojar nos ovários, tubas, peritônio, podendo atingir até mesmo o intestino, a bexiga ou outros órgãos à distância, como diafragma, fígado etc.”, explica o ginecologista obstetra e especialista em endometriose, Marcos Tcherniakovsky.

 

Apresentando sintomas que podem ser confundidos com as sensações comuns ao período pré-menstrual e menstrual, como cólicas intensas, dor na região pélvica e desconforto no ato sexual, muitas mulheres não dão a atenção necessária aos sintomas e - seja por falta de tempo, acesso ou até mesmo preguiça - acabam por não procurarem a opinião de um especialista.

 

O tecido endometrial, porém, vai se alastrando e provocando reações inflamatórias de intensidade variável, provocando alterações no hábito intestinal, problemas para evacuar, dor e sangramento ao urinar, entre outros fatores que se intensificam e podem trazer consequências graves ao longo dos anos, inclusive a infertilidade - uma das principais decorrências da doença, por comprometer diretamente os órgãos envolvidos no processo reprodutivo.

 

Tipologia


É importante dizer, ainda, que há diferentes tipos de endometriose. “Temos a endometriose peritoneal, que são lesões que acometem a parede que reveste o abdômen e a pelve; a endometriose ovariana, que atinge ao ovário; e a endometriose de septo retovaginal, afetando a região que fica entre o útero e o intestino”, esclarece o ginecologista. Para se ter uma ideia exata do quadro clínico de cada mulher é necessário se fazer uma visita ao ginecologista.

O primeiro passo é uma conversa clara e livre de pudores, explicando sobre a existência de dores, desconfortos, saúde sexual, rotina intestinal, entre outras questões que possam estar afetadas devido a endometriose. O segundo são os exames de toque vaginal e demais complementares, como o endovaginal. “Um dos maiores problemas quando falamos em endometriose é sua descoberta tardia. Já na fase adulta, normalmente entre os 25 e 35 anos”, conta Marcos Tcherniakovsky. “Geralmente a progressão das lesões e, consequentemente, do ambiente inflamatório já está tão grave que começa a afetar a qualidade de vida dessas mulheres, que muitas vezes já estão tentando engravidar, sem sucesso.”

 

Por isso, autocuidado e visitas preventivas ao ginecologista são as melhores “armas” contra essa doença, que ainda pode ser desencadeada por estresse, desânimo, depressão e outras enfermidades psicológicas e emocionais tão comuns na sociedade atual. Por isso mesmo, outro aliado das mulheres são os exercícios físicos. Os mais indicados são os aeróbicos, alongamentos e a musculação, que fazem bem para o corpo e mente.

 

Intervenções médicas

 

Com a doença diagnosticada, é hora do tratamento! O ginecologista especialista em endometriose ressalta que “em linhas gerais, o tratamento tem a finalidade de tratar e prevenir os sintomas existentes, inicialmente de forma clínica, por meio de medicamentos que controlam a dor e retardam a progressão da doença, tais como analgésicos, anti-inflamatórios e anticoncepcionais”.

Outra opção, em casos mais sensíveis, é a videolaparoscopia - um procedimento não invasivo e parecido com o da endoscopia, no qual se visualiza a cavidade abdominal por meio de uma pequena câmera de vídeo. Além de atuar como uma solução diagnóstica nesses casos, por meio do procedimento também é possível se realizar intervenções cirúrgicas, já visualizando as lesões e retirando-as, se possível por completo, independentemente de onde estão localizadas. Deixando, assim, o tratamento cirúrgico mais invasivo para casos agressivos e que foram rebeldes ao tratamento clínico ou que não se qualificam para a videolaparoscopia.
 

Nos casos em que a endometriose está relacionada com a infertilidade, ainda, recorre-se ao suporte de um profissional de reprodução assistida. Muitas vezes é necessário também um acompanhamento psicológico, combinado ao apoio da família e dos amigos. “Esse processo de acolhimento é muito importante para que a mulher não se sinta sozinha, desenvolvendo sentimentos de inferioridade, medo, estresse, ansiedade e depressão, vindo a desistir do tratamento e do convívio social, o que torna o problema ainda mais grave”, sintetiza o ginecologista.

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