Laura Muller

"Em pleno século XXI, sexo ainda é tabu"

SEXO. Ainda existem muitas pessoas que enrubescem só de ouvir essa palavra. Mas porque uma ação normal a todo ser humano gera tanto desconforto ou simplesmente é considerado como promiscuidade? Porém falar de sexo é preciso, tanto com seu companheiro – para que sua vida a dois seja mais feliz, quanto para seu filho – para evitar uma possível gravidez precoce ou pior, uma DST. Sexo é bom e afinal, quem não gosta?

 E para falar de sexo ninguém melhor do que uma pessoa especializada no assunto e que tem contato com pessoas de todas as idades, pronta para tirar todas as dúvidas: a jornalista e psicóloga especializada em sexologia, Laura Muller.

 

Confira a entrevista completa:

 

Revista +Saúde: Laura, o que lhe atraiu no mundo da sexologia? Como iniciou sua carreira?

Laura Muller: Comecei minha carreira como jornalista na Folha de S. Paulo, na Folha da Tarde. Um dia surgiu uma vaga na editoria de sexualidade da revista Claudia. Eu topei o desafio e fui pra lá, quando eu cheguei achei muito difícil falar sobre sexo, editar aquelas páginas todas sobre sexo e resolvi me especializar, fazer uma pós-graduação em educação sexual.

Acabei me apaixonando pelo tema e no final da pós comecei a lançar livros e dar palestras pelo Brasil para jovens, adultos, terceira idade. E no final das palestras a turma me pedia para atende-los individualmente. Porém pra se atender em um consultório você precisa ser médico ou psicólogo, então eu fui fazer psicologia como segunda formação. Hoje eu atendo o público em geral no consultório e continuo fazendo palestras pelo Brasil e a comunicação ficou de fundo pra me ajudar a escrever os livros, falar em público como na TV no programa Altas Horas da Globo e fazer as mais variadas ações com a mídia.

 

R+S: Você faz muitas palestras pelo Brasil. Você nota que as pessoas ainda têm muitas dúvidas sobre sexo? Quem mais pergunta, são os homens ou as mulheres?

LM:  Sim, as pessoas ainda tem muitas perguntas. Sexo é um assunto tabu na nossa cultura e o adulto hoje não teve aulas de educação sexual na sua adolescência. Já o jovem tem mais contato com as aulas de educação sexual, com as palestras, a internet ‘bombando’ de informações, mas o jovem quando entra na fase de iniciação sexual (de 15 a 17 anos) tem muitas dúvidas.

Lá no passado, quando eu comecei a dar palestras eu percebia que as mulheres falavam mais e colocavam suas perguntas. Hoje eu vejo que os homens se encorajaram a perguntar também e está meio a meio. Nas palestras eu sempre faço uma dinâmica de perguntas e respostas e as perguntas sempre ficam meio a meio, metade das mulheres e metade dos homens.

 

R+S: Quais são os questionamentos mais feitos pelo público adulto? E pelo público jovem?

LM: Pelo público adulto as dúvidas ficam mais na questão de dificuldades sexuais. Os homens são bastante interessados nas questões de ereção, ejaculação rápida, desejo, e muito sobre o órgão genital masculino. E as mulheres estão interessadas no orgasmo, desejo e dor na penetração. Já os casais estão muito preocupados com a educação sexual dos seus filhos.

O público jovem está preocupado com as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), em como evitar e lidar, e com a gravidez fora de hora em também como evitar e como lidar e por fim sobre a prática do sexo em si, o prazer, e a diversidade sexual. A terceira idade também tem dúvidas e está bem preocupada em até quando pode fazer sexo, se é tudo bem praticar o ato sexual. E eu sempre digo que tudo bem fazer sexo a vida toda, basta sentir desejo.

 

R+S: Você acredita que com o passar dos anos, o jovem vem descobrindo o sexo cada vez mais cedo? O que isso pode prejudicá-lo? Eles estão preparados para fazer sexo?

LM: O que a gente observa de principal mudança não é tanto a faixa etária. Se a gente for pensar bem na época das nossas avós com 13, 14 anos elas já estavam se casando, começando a vida sexual, tendo filhos. A diferença do mundo atual é que hoje o jovem não inicia sua vida sexual necessariamente no casamento. E segundo o Ministério da Saúde e da Educação a idade média da iniciação sexual do brasileiro é de 15 a 17 anos.

O que eu digo sempre para os jovens: mesmo tendo esses dados a partir de pesquisas é que você não precisa começar sua vida sexual nessa idade, pelo contrário, ele deve começar quando se sentir maduro e preparado para lidar com aqueles três grandes eixos: gravidez, doenças sexualmente transmissíveis e a pratica do sexo em si que vai incluir as relações, o afeto, o prazer e toda essa diversidade sexual.

 

R+S: Sexo faz bem pra saúde? O que muda na vida de uma pessoa que é ativa sexualmente?

LM: Sexo pode fazer sim bem pra saúde. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o sexo é um dos quatro pilares da qualidade de vida dos indivíduos ao lado do lazer, do trabalho e da vida em família. Mas não pode ser uma obrigação, então se a pessoa encarar o sexo como uma necessidade, como uma coisa que ‘tem que fazer’ ai não vai fazer bem. A gente tem saber os limites e saber até onde ir: devemos ir até aquela prática quando ela não nos fere nem física nem emocionalmente, nem fere a pessoa que está ao seu lado. Quando a gente sabe esse limite pode viver essa sexualidade de uma forma saudável, responsável e prazerosa. 

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