Está tudo bem com seu intestino?

Incidência das DII (Doenças Inflamatórias Intestinais) cresce em níveis preocupantes

Dores abdominais, perda de peso e diarreia podem ser sinais de que algo sério pode estar acontecendo no seu intestino! Esses são alguns dos primeiros sintomas da manifestação de Doenças Inflamatórias Intestinais (DII), mais especificamente a Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa que são incluídas na campanha de prevenção do Maio Roxo, visando incentivar a conscientização e prevenção contra essas doenças.

A Doença de Crohn e a Retocolite Ulcerativa ainda são pouco conhecidas no país e, por esse motivo, também não são muito reconhecidas entre os médicos de atenção primária - o que dificulta o diagnóstico e retarda o início do tratamento. “Apesar de serem doenças pouco comuns, está ocorrendo uma incidência de 11% de crescimento anual para Doença de Crohn e de 15% para a Retocolite Ulcerativa, principalmente em grandes centros brasileiros”, aponta a Dra. Cyrla Zaltman, doutora em Gastroenterologia pela USP e presidente do Grupo de Estudos de Doença Inflamatória do Brasil (GEDIIB) da Federação Brasileira de Gastroenterologia (FBG).

 

O que é a doença de Crohn?

Essa é uma doença imunológica que acomete principalmente o trato digestório, ou seja, pode ocorrer em qualquer parte dele, desde a boca até o ânus, de forma descontinua e envolvendo toda a espessura do órgão. Em alguns casos, podem ocorrer manifestações em outros órgãos do corpo, como os olhos, fígado, pele e articulações.

“Não tem causa única, pode ser que o indivíduo tenha uma predisposição genética para desenvolver a doença e que a presença de alterações na população das bactérias intestinais e na imunologia da pessoa possa favorecer o surgimento da doença após ter entrado em contato com um fator ambiental, ou o ‘gatilho’ ambiental, como o tabagismo ou stress, por exemplo”, esclarece a especialista.

O paciente com a Doença de Crohn apresenta um quadro de perda de peso não intencional, diarreia crônica (que dure mais quatro semanas), diarreia noturna, dor abdominal ou febre baixa nos últimos três meses. “Esta doença pode iniciar com sintomas oculares, reumatológicos, de pele e só posteriormente surgirem os sintomas intestinais, o que dificulta o diagnóstico. Pode evoluir com complicações como estenoses (estreitamentos impedindo a passagem das fezes), fístulas (comunicações entre órgãos) ou se manter inflamado”, completa Dra. Cyrla.

Para o diagnóstico, além da avaliação clínica são necessários vários exames (laboratoriais, radiológicos, endoscópicos e anatomopatológicos). Por ser crônica, sem cura até o momento, o tratamento deve ser individualizado e contínuo, com o uso de medicamentos à base de corticoides, imunopressores, terapia biológica e, em casos específicos, por meio de cirurgia.

O que é a Retocolite Ulcerativa?

Também é uma doença inflamatória crônica, mas envolvendo apenas o intestino grosso de forma contínua e somente a parte interna da parede do órgão (mucosa). Tem a mesma hipótese patogênica que a Doença de Crohn, porém com algumas diferenças nos sintomas como diarreia crônica com sangue e muco, além de dor abdominal, perda de peso e manifestações extraintestinais cutâneas, reumatológicas ou hepatobiliares.

Não existe um tipo de exame específico para diagnosticar a Retocolite Ulcerativa, por isso também se necessita de um conjunto de dados feitos por meio de diferentes exames. Dependendo da localização e do grau de atividade da doença, o tratamento deve ser feito com medicamentos prescritos sob orientação médica. “A cirurgia de retirada total do colón pode ser uma opção nas situações de intratabilidade ou de complicações – como perfuração intestinal, neoplasias intestinais. Entretanto o tratamento cirúrgico não é curativo, pois a doença tem um caráter sistêmico”, explica a gastroenterologista.

É possível ter uma vida normal tendo um Doença Inflamatória Intestinal?

Mais uma vez, é importante lembrar que ainda não existe cura para a DII, mas o portador pode, sim, ter uma vida normal desde que consiga controlar a doença para que ela não evolua. “A situação ideal é que o diagnóstico seja precoce e o tratamento adequado ser instituído o mais breve possível para evitar a progressão da doença, hospitalizações e cirurgias. Entretanto, mudanças no estilo de vida, dietéticas e nos relacionamentos interpessoais se tornam necessárias, visando melhora da qualidade de vida”, orienta Dra. Cyrla.  

Existem hipóteses de que a alta ingestão de carne e gorduras saturadas, bem como a baixa ingestão de frutas e vegetais, podem acarretar um processo inflamatório intestinal em pessoas predispostas geneticamente a desenvolverem a DII, como explica a especialista. “Alguns hábitos alimentares podem também se relacionar ou agravar sintomas digestivos, provocando um aumento no número de evacuações, flatulências e surgimento de cólicas abdominais. Quanto ao sedentarismo, este parece favorecer o desenvolvimento da Doença de Crohn, mas não da retocolite ulcerativa. Embora estes achados não sejam consensuais, intervenções no estilo de vida do indivíduo com predisposição genética podem modificar este risco ou até mesmo reduzir sua progressão”, afirma.

Por isso, vale apostar numa alimentação saudável, não industrializada, realizando exercícios físicos regularmente e suspendendo o tabagismo. São hábitos que podem preservar a saúde do seu intestino!

ASSINE NOSSO BOLETIM

Cadastre-se e fique por dentro das novidades da revista

Matriz Ourinhos: (14) 3322-2465
Filial Vitória da Conquista: (77) 3422-4233

Matriz: contato@grpmais.com.br
Redação: redacao@grpmais.com.br

Matriz:
Rua Benjamin Constant, 499 
Vila Moraes - Ourinhos/SP
CEP: 19.900-041
 
Filial: 
Avenida Expedicionários, 753, Sala 1 
Cond. Vilarejo | Bairro Recreio - Vitória da Conquista/BA
CEP: 45.020-310

A REVISTA +SAÚDE FAZ PARTE DO GRUPO GRPMAIS
Revista +Saúde © Todos os direitos reservados

+SAÚDE na web:

Mudar minha localização