Elegância X Saúde

O uso do salto alto pode lhe deixar mais bela, mas também pode comprometer sua saúde

Salto agulha, plataforma, anabela, quadrado, cone, meia pata...são tantas opções! Muitas mulheres adoram um salto, seja para trabalhar, para um almoço em família ou ainda para a balada. É um acessório que pode, sim, fazer a diferença no look, mas todo cuidado é pouco! O uso excessivo do salto pode causar alguns problemas para a saúde do corpo, inclusive para a circulação sanguínea.

O hábito de usar saltos constantemente pode afetar, a longo prazo, os pés, tornozelos, calcanhares, unhas, joelhos e até a coluna. Mas isso não significa que todas as mulheres terão complicações nessas regiões.

Numa caminhada descalço, o movimento começa pelo calcanhar, que recebe a maior parte da carga, e depois o peso é deslocado para a planta do pé, “empurrando” o chão. Em cima do salto essa dinâmica muda: a base do salto é menor do que a do calcanhar, jogando todo o peso do corpo para frente do pé para não acontecer um desequilíbrio e nem quebrar o salto. Ou seja, o uso dele altera a maneira natural de andar.

Para entender melhor sobre o que acontece com a circulação ao colocar uma carga muito pesada na frente dos pés, Dr. Alexandre Amato, cirurgião vascular, endovascular e ecografista, explica que “as artérias levam o sangue oxigenado para as pernas. O sangue desce fácil, por causa da gravidade e da força do coração. As veias trazem sangue de volta para o coração e o sangue deve subir, lutando contra a gravidade".

Ainda segundo Alexandre, o uso do salto não causa o aparecimento de varizes, contudo vai diminuir a amplitude dos movimentos dos músculos das pernas e dos pés, influenciando assim no funcionamento da circulação venosa. A bomba da panturrilha – popularmente conhecida como a batata da perna – quando contrai, bombeia o sangue para cima. "A bomba plantar é estimulada pela caminhada e movimento dos pés. Quanto mais alto o salto, menos as bombas funcionam", afirma o cirurgião.

Então, se as bombas não trabalham de forma correta vai haver:

  • Mais sangue residual nas pernas;
  • Menos retorno venoso;
  • Mais inchaço;
  • Mais dor;
  • Mais sensação de peso e cansaço;
  • Aumento da pressão venosa.

Isso sem falar que o salto alto também traz riscos para a coluna. Como o calcanhar fica elevado, o centro de gravidade do corpo é jogado para frente. Para compensar essa inclinação, tende-se a "empinar" o bumbum, jogando o tronco para trás, o que pode causar uma hiperlordose – quando a lombar fica curvada para dentro –, comprometendo a postura.

Formação de calos, problemas nas unhas, dedos em forma de garras, joanetes, tendinites, bursites e fraturas são outros sinais evidentes de que o sapato está inadequado. “Em saltos menores de 3 cm, 50% do peso se concentram nos calcanhares e os outros 50% na ponta dos pés. Esse seria então a altura ideal para ser considerado um salto inofensivo a saúde”, esclarece Alexandre.

Usar saltos de 7, 11 ou 15 cm todos os dias e por mais de sete horas pode gerar problemas futuros. As panturrilhas se contraem e, em alguns meses, podem se “encurtar”, causando dor quando não se usa o salto. Já o músculo do calcanhar tende a ficar comprimido, deixando-o menos flexível. O especialista ainda destaca que o salto transfere até 90% da pisada para a frente do pé. Essa pressão pode virar uma joanete, que é um "calo" formado pelo desvio dos ossos, o que é agravado, principalmente, por calçados de bico fino.

Então, surge a questão: o salto do tipo plataforma, que é mais reto, seria mais seguro? De fato, ele é menos nocivo e dá falsa sensação de pisada firme, mas isso facilita as torções de tornozelo e as quedas. Com a inclinação, a distribuição do peso do corpo piora e se concentra nas articulações dos joelhos. Essa sobrecarga também pode gerar dores.

Calma! Não estamos dizendo que você não pode calçar um salto. Mas é ideal comprar o calçado respeitando o formato dos seus pés para evitar as zonas compressão e o esmagamento dos dedos. A dica dos especialistas é variar os tipos de sapatos e reduzir o tempo e a frequência em cima deles. Use com moderação!

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