“Meu amigo” tem uma dúvida sobre sexo...

A terapeuta sexual Paula Napolitano responde questões que muita tem vontade de saber, mas não tem coragem de perguntar!

- Criar um ambiente diferente para preparar um clima pode ajudar a chegar ao orgasmo?

Paula Napolitano: Essa é uma questão bem importante, porque o orgasmo é um conjunto de coisas que envolvem mais intimidade, um ambiente preparado, de estar se sentido desejado(a), estar sendo estimulado(a). E quando você prepara o ambiente você traz os outros sentidos e também está preparando o psicológico e o emocional para isso, porque a pessoa já cria uma expectativa de que mais tarde vai acontecer algo gostoso. Você prepara a cabeça e o corpo para esse momento, é a ideia de crescer o seu desejo mentalmente.

- Posso dispensar as preliminares na hora do sexo?

Paula: Normalmente não, mas a gente sabe também que aquelas rapidinhas podem ser muito prazerosas em algumas situações. Mas de modo geral, as preliminares são extremamente importantes porque a gente acaba, de uma maneira errônea, achando que o sexo está ligado apenas aos órgãos genitais e a penetração, quando na verdade ele está ligado ao corpo inteiro e a gente pode sentir prazer em qualquer parte. Conforme o corpo vai aflorando nas preliminares, a excitação e o desejo vão aumentando e, muitas vezes, em se tratando da mulher, as preliminares vão ser importantes para a lubrificação e o aumento do tesão, preparando o seu corpo para uma relação sexual bem mais prazerosa.

 

- Eu sou mulher e não consigo chegar ao orgasmo durante o sexo. É normal?

Paula: Infelizmente isso acontece bastante por diversos motivos. Ainda estamos numa sociedade que foca muito no prazer masculino e desconhece o prazer feminino, é uma educação ainda um pouco repressora sobre a sexualidade das mulheres. Isso faz com que elas também não conheçam o próprio corpo, não se toquem e sintam que elas não podem ter prazer por pensarem que devem satisfazer apenas o homem.

Além disso, a baixa autoestima e autoimagem podem prejudicar muito a mulher e bloqueiam o orgasmo, por achar que o corpo dela não está legal. Por isso é importante se concentrar no prazer, nas sensações, no momento presente da relação porque se a mulher está preocupada com alguma coisa, ela não está sentindo e é preciso sentir.

 

- Meu parceiro(a) é tímido na cama. Como posso deixá-lo mais confortável na hora do sexo?

Paula: Uma das coisas que ajudam nessa questão é conversar. Quanto mais o assunto poder ser aberto e dialogado sem esses preconceitos e tabus – querendo realmente saber o que a pessoa gosta ou não gosta, até na hora do sexo perguntar se ela está achando gostoso ou não – vai deixando a pessoa mais segura. E lembrando que o “fora da cama” é importante também, de perceber o quanto você deixa a pessoa a vontade para falar sobre as coisas dela, ou no dia-a-dia se você reprime um pouco as coisas que ela fala. Então elogie o seu parceiro(a), converse procurando deixar claro que é importante para você saber do que ele gosta para que os dois sintam prazer, essa pessoa com certeza vai se sentir mais à vontade e começar a se abrir.

 

- Fazer sexo pela manhã é melhor?

Paula: Isso é uma coisa muito mais de preferência de cada um. Tem gente que gosta de fazer sexo pela manhã porque dormiu e está descansado, como também tem pessoas que não gostam porque acabou de acordar e não está animado, está com mau hálito e aquelas coisas todas que impedem que rolem um clima.

O que a gente sabe é que a testosterona masculina está com o maior pico pela manhã, enquanto a mulher tem o pico de testosterona mais alto na parte da tarde. Mas essa influência mais física é somente uma pequena parte da relação e a preferência de horário não tem muita importância. Às vezes só por estarem descansados o sexo matinal pode ser mais prazeroso, porque um dos fatores que diminui muito o desejo sexual, e inclusive o orgasmo, é o cansaço e o estresse.

- Tenho medo de sentir dor durante o sexo anal. Como posso transformar isso em prazer?

Paula: Primeiro é sempre importante que se use um lubrificante que pode ser à base de água, porque o ânus não tem a mesma lubrificação da vagina, por exemplo, além de ser importante saber se a pessoa estar afim de fazer o sexo anal. A partir daí é legal que o seu parceiro(a) esteja num nível alto de excitação com bastante estimulação nas preliminares. E é aí que você vai começar com o estímulo anal aos poucos, colocando um dedo fazendo movimentos de forma lenta e, no caso da mulher, vai estimulando o clitóris ao mesmo tempo. Você vai associando o sexo anal a sensação de excitação e prazer que essa estimulação traz, vai perceber que o ânus é sim uma área erógena e vai curtir fazer isso. Mas tudo precisa ser feito com cuidado e muito carinho.

- Comecei um relacionamento recentemente e tenho uma vida sexual muito ativa. O sexo em excesso pode fazer com que o meu apetite sexual diminua com o tempo?

Paula: Nunca uma coisa se mantém completamente igual o tempo todo. Muitas vezes quando é novidade, é natural que o desejo diminua um pouco com o tempo, mas não é porque teve relações sexuais de forma intensa que isso vai diminuir depois. O fato de ser muito bom sempre pode ser até um indício de que você vai ter uma vida sexual muito prazerosa depois, porque vai existir uma frequência e vão se conhecer mais, sabendo mais dos gostos um do outro na cama. Além disso, com o passar do relacionamento você vai priorizar muito mais a qualidade do sexo do que a quantidade.

Sem contar que uma das coisas que também fazem o apetite sexual diminuir em alguns casos é o fato das pessoas esquecerem de namorar, por exemplo, o tempo vai passando e elas param de se dedicar tanto e investir na relação. A gente tem uma crença muito errada de que tudo tem que vir muito espontâneo no relacionamento, a vontade de beijar, de transar, de se arrumar e sair com a pessoa, quando na verdade poucas são as coisas que fazemos espontaneamente na vida. Precisamos sim de dedicação e esforço para o relacionamento e a sexualidade também.

 


Paula Napolitano - psicóloga clínica e terapeuta sexual (CRP 06/90349)

Consultora de sexualidade na Rádio Jovem Pan
Visite: www.paulanapolitano.com.br

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