“Da vida a gente só leva a alma...”

Cláudia Rodrigues fala do seu “renascimento” após luta contra esclerose múltipla

Em 2006, depois de passar mal durante uma gravação, a atriz Cláudia Rodrigues entristeceu a todo o Brasil ao revelar ser portadora de esclerose múltipla há seis anos – veja matéria sobre o tema nesta edição. Na época, a atriz estava no ar na Rede Globo com o programa “A Diarista”, onde interpretava a caricata personagem Marinete – o papel de maior destaque e apelo popular entre tantos outros personagens carismáticos por ela já interpretados ao longo de seus 30 anos de carreira, celebrados neste ano.

No ano seguinte, o programa foi cancelado e seu tratamento só se intensificou de lá para cá. Após 16 anos travando uma verdadeira batalha de altos e baixos contra a doença, Cláudia vive bons momentos após a realização de um transplante de células tronco realizado no fim do ano passado. “Eu renasci!”, diz a atriz.

Questionada sobre a possibilidade da volta das trapalhadas da diarista Marinete às telinhas, porém, Cláudia é direta: “Infelizmente ela não volta mais, pois eu não sou mais funcionária da Globo, que é detentora do programa e da personagem. Embora este tenha sido um presente do diretor Mario Lúcio Vaz, que teve a ideia e pediu para a Glória Perez escrevê-la para mim.”

Mas, fãs, não fiquem tristes! Em entrevista exclusiva à Revista +Saúde, a atriz fala de sua volta aos palcos, além de dar um relato emocionante sobre sua recuperação. Ela ainda aproveita a oportunidade para deixar um recado aos fãs – a quem atribui toda a força e alegria para enfrentar os momentos difíceis: “Há apenas duas maneiras de ver a vida: uma é pensar que não existem milagres e a outra é que tudo é um milagre. Basta ter fé e acreditar em Deus!”


+Saúde: Em 2006, você chocou a todos ao tornar público seu diagnóstico de esclerose múltipla. No entanto, você já vinha se tratando da doença há seis anos. Quais foram os primeiros sintomas?

Cláudia Rodrigues: Em 2000, eu estava em São Paulo fazendo a peça “Monólogos da Vagina”, de repente comecei a sentir uma dormência no braço esquerdo enquanto estava atuando. Ao terminar a peça, a produção me levou para o hospital. Depois de dois dias internada e fazendo diversos exames, após uma ressonância magnética foi me dado o diagnóstico de esclerose múltipla. A única pergunta que fiz ao médico é se eu poderia ser mãe e quando ele respondeu que sim fiquei aliviada.

 

+S: Em dezembro de 2015, após 15 anos lutando contra a doença, você deu entrada no Hospital Albert Einstein para a realização de um transplante de célula tronco. Como funciona esse procedimento?

CR: Primeiro é importante conversar com seu neurologista sobre o assunto, afinal, cada caso é um caso. No meu, realizei o transplante autólogo, que nada mais é do que receber as suas próprias células sem a necessidade de doador. O que é melhor, pois não corre-se o risco de rejeição.

+S: E quais os resultados deste tratamento?

CR: O sucesso do transplante depende da “pega” – quando as células tronco bebês que eu produzi e foram inseridas na minha corrente sanguínea saem da veia e entram novamente nos ossos. Essa para mim foi a pior fase do transplante, pois dói muito. Mas quando tem a pega, a alegria é geral e todo o hospital comemora, é quando o paciente renasce. Porém, ela pode levar de dias até meses. A minha pegou em nove dias. Por essa razão celebro todo dia 18 de dezembro o meu renascimento.

 

+S: E há algum ponto negativo?

CR: É um tratamento caríssimo, custando cerca de R$ 2 milhões, porém, muito eficaz e pode salvar muitas vidas. Já há estudos que tratam de um transplante que possa regenerar as sequelas da doença, culminando até na cura da mesma. Essa é a esperança de todos os pacientes. Infelizmente, como ponto negativo está o fato de que o Sistema Único de Saúde (SUS) não paga esse transplante, o que me causa indignação, uma vez que esse direito é garantido no artigo 196 da Constituição Federal de 1988 – “A saúde é direito de todos e dever do Estado”. E é por essa razão que vou iniciar uma luta para que o Governo Brasileiro cumpra com seu papel e respeite sua Constituição.

 

+S: Como se dá a recuperação?

CR: Depois do transplante os cuidados são muitos, uma vez que ficamos totalmente sem imunidade. Eu tomo cerca de dez comprimidos por dia, chego a gastar R$3 mil por mês com remédios, fora as vacinas que tenho que tomar novamente. Sabe aquelas que tomamos quando nascemos?! Pois é! Elas mesmas! Resumindo, viramos um bebê indefeso que precisa de cuidados. Além disso, você tem que andar com um frasco de álcool gel no bolso para usar nas mãos frequentemente, usar máscara cirúrgica para proteger-se de bactérias, não pode sair e frequentar lugares fechados, piscina, praia e tem que evitar o contato físico com as pessoas – sem beijos, abraços e, principalmente, sem aperto de mão – durante um ano. Outro ponto importante é mudar radicalmente a alimentação, buscando uma dieta mais saudável, preferencialmente vegetariana, como eu consegui, contando com o apoio da equipe do Centro Médico de Vida Saudável (Cevisa).
 

+S: Agora, depois de ter passado por todos esses procedimentos, estamos ansiosos para saber, você já tem previsão de voltar a atuar?

CR: Essa é a melhor parte para mim agora! Depois de travar uma batalha contra a EM durante 16 anos e estar em reabilitação intensiva nos últimos três anos, chegou a hora de retornar aos palcos e fazer o povo brasileiro rir um pouco. Estrearei uma peça infantil chamada “Menino Repolho”. Aliás, foi a primeira peça de teatro em que atuei. Por isso a escolhi. Retornarei aos palcos com a peça em que iniciei minha carreira. E o melhor de tudo, minha filha Iza, de 14 anos, também estreará na peça, com dois papeis. Também estou criando um canal no Youtube para fazer meu programa “Cláudia Rodrigues Show” – com personagens já conhecidos do público e outros que serão novidades.

ASSINE NOSSO BOLETIM

Cadastre-se e fique por dentro das novidades da revista

A REVISTA +SAÚDE FAZ PARTE DO GRUPO GRPMAIS
Revista +Saúde © Todos os direitos reservados

+SAÚDE na web:

Mudar minha localização