EVA WILMA

“Para mim, tudo na vida tem que ter humor”

Quem não se lembra de Maria Altiva, a nordestina com mania de falar inglês da novela “A Indomada”? Ou, ainda, das inesquecíveis gêmeas Ruth e Raquel, personagens principais da primeira versão de “Mulheres de Areia”, rodada em 1973? Estamos, sim, falando de Eva Wilma, uma das atrizes mais conhecidas pelo público e aclamadas pela crítica no Brasil.

 

Atuando há muitas décadas, Eva iniciou sua carreira no saudoso Teatro Arena, cercada pela plateia em apresentações ao ar livre e sem palcos. Segundo a atriz, o teatro foi uma fase importante de sua vida, caracterizado como uma escola que fez ela ser a atriz que é hoje. E é sobre sua trajetória de sucesso que conversamos numa entrevista exclusiva para a Revista +Saúde, em que a diva revela todo seu bom humor e amor pela arte. Aliás, é justamente falando sobre essa paixão que se transformou em profissão que abrimos essa conversa.

 

Revista +Saúde - Como você descobriu o amor pela arte?

Eva Wilma - Assim como muitas crianças, desde pequena eu tive a vontade de aprender a cantar, dançar e, felizmente, meus pais puderam estimular isso. Fiz de aulas de música com a grande Inezita Barroso até aulas de ballet clássico, área em que me dediquei dos nove aos 19 anos. Então, a arte sempre esteve presente na minha formação. Eu sempre tive essa inclinação para cantar, dançar, representar. E tive a sorte de poder estudar e de encontrar pessoas que me convidaram para o trabalho de atriz.

 

+Saúde - Você atua tanto no teatro quanto no cinema e na televisão. Como é “passear” por todas essas áreas?
Eva Wilma -
É só ser atriz! A minha formação não se deu num palco, mas sim no Teatro de Arena, com todo mundo em volta. Aliás, ele foi o primeiro e único da América Latina durante dois anos. O ator será sempre um ator, mas para isso deverá sempre voltar para a prática do ao vivo, de corpo inteiro. Assim podemos trabalhar tanto no exercício teatral, quanto no cinematográfico ou na televisão. Que é o que aconteceu comigo desde o começo.

 

+Saúde - E qual grande aprendizado você leva de sua longa e bem sucedida carreira como atriz?

Eva Wilma - No geral é uma grande felicidade você conseguir se dedicar a arte. Eu acho que a maioria das pessoas têm um pouquinho disso dentro de si. Poder se dedicar à música, à literatura, à arte como um todo, é muito estimulante para a vida de todo mundo.

 

+Saúde - Você já participou de muitas novelas que fizeram com o que o seu nome fosse eternizado pelo público brasileiro, como é o caso da novela “A Indomada”. Como foi viver a inesquecível Maria Altiva?

 

Eva Wilma - Não é só a Maria Altiva, mas também as gêmeas Ruth e Raquel da primeira versão de “Mulheres de Areia”, de autoria de Ivani Ribeiro. Já “A Indomada” teve a autoria de Aguinaldo Silva, com quem fiz várias parcerias, sempre com enorme prazer, como na novela “Pedra sobre pedra”. Ele tem muito humor e, para mim, o humor tem que estar em tudo que você faz da vida. Aliás, tem uma frase linda do Ariano Suassuna, ele fala assim: “Às vezes se eu começar a me levar a sério demais, dou uma cambalhota e viro palhaço”. Então, aí você usa a literatura de um gênio nordestino em sua vida, em sua obra. O povo do nordeste tem uma característica muito bonita e o Aguinaldo vem dessa formação, vindo do interior da Paraíba. Ele fez literatura como ninguém, ele é o grande artista, escreve bem,  cria. Então, ele criou a Altiva e para mim foi uma satisfação enorme viver esse tipo de vilã cheia de humor. Conforme ele viu o estímulo com que eu a interpretava, ele foi escrevendo cada vez mais.

 

+Saúde - Então você gosta de fazer o humor?

Eva Wilma - Para mim, tudo na vida tem que ter humor, como o Ariano Suassuna disse com essa frase genial. Você tem que saber não se levar a sério demasiadamente. Conhecer o mundo, conhecer os problemas e saber lidar com isso sem perder o bom humor é o básico para viver bem.

 

+Saúde: E qual o seu critério para aceitar interpretar um personagem? Como é a preparação?

Eva Wilma - É o autor quem escreve e propõe. Em seguida, vem o diretor que faz a concepção do que o autor propôs. Se eu sentir estímulo nisso, eu consigo absorver esse estímulo para fazer bem o personagem. Como foi com Ivani Ribeiro e Aguinaldo Silva. Eu poderia citar meia dúzia de outros autores também, claro, tanto de novela, como de teatro e cinema. Por exemplo, o filme “São Paulo - Sociedade Anônima”, do Luís Sérgio Person, é um clássico da cinematografia brasileira e eu gostei demais de fazer, entre outros.

 

+Saúde - Sua última personagem foi a doutora Petra, na novela “O tempo não para”, também da Rede Globo. Como foi interpretar uma médica?

Eva Wilma - Como todas as personagens, tenho que conhecer um pouco da realidade da profissão. Então, o cientista, antes de mais nada, ele lida com a sabedoria, lida com experiências de tudo que ele estudou e, ainda, continuará a estudar pelo resto da vida. Ele tem que ter a cabeça muito aberta para encarar ciências tão novas como essa da criogenia (técnica de congelamento de cadáveres para um dia ressuscitá-los), assunto tratado na novela. Então eu tive de ter a cabea aberta também.

 

+Saúde - E, finalmente, qual é o segredo para se manter tão jovial, conciliando, ainda, a rotina de família e trabalho?

Eva Wilma - O primeiro passo é você nunca deixar de seguir os conselhos dos seus médicos. Além disso, eu amo muito os meus filhos, minha vida pessoal, minha família toda. Eu cuidei muito dos meus pais e nunca esqueci do carinho que eles me deram. E passo esse carinho para os meus filhos e netos, o que acaba me estimulando na vida profissional também.

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