Depressão

A depressão tem sido a doença psíquicamais comum na sociedade atual. As causas que levam pessoas aadoecer psiquicamente dizem muito sobre o funcionamento de uma sociedade. É como se pudéssemos detectar os sintomas que espelham aquilo que não vai bem de um

Depressão a doença silenciosa do século XXI

 

Doença já é considerada a mais comum na sociedade atual

A depressão tem sido a doença psíquicamais comum na sociedade atual. As causas que levam pessoas aadoecer psiquicamente dizem muito sobre o funcionamento de uma sociedade. É como se pudéssemos detectar os sintomas que espelham aquilo que não vai bem de um modo geral no funcionamento dessa sociedade, aquilo que não é levado em conta e escapa na forma de “doença”.

É o que explica a psicanalista LucianaArmond Di Giorgi. “Vivemos numa sociedade de consumo onde somos induzidos a pensar, pela lógica de mercado, que existe um produto para cada necessidade, muitas vezes criando demandas para justificar o consumo de produtos. Assim acontece também com relação às questões subjetivas”, fala.

Luciana explica que passamos a acreditar que é possível eliminar inquietações típicas da angústia de viver por meio do consumo imediato. Somos convidados a embarcar num movimento de sucessivas substituições de consumo para dar conta de algo que sempre continuará faltando, pois não há correspondência entre realizar um desejo e ter ou comprar ou usufruir de um produto. 

A psicanalista justifica que o que está ligado ao afeto e às palavras não pode ser encontrado em um produto, seja este produto uma medicação antidepressiva ou uma sugestão de auto-ajuda. Estas são formas aparentemente fáceis, rápidas e sem reflexão de nos livrarmos de nossos incômodos. “Não nos damos o tempo de parar e nos indagar a respeito do que causou estas inquietações, com que elas se relacionam. Não é à toa que a vida começa a parecer  vazia e sem sentido”, afirma.

Ela defende que não enfrentar o tempo de angústia para entrar em contato com nossos pensamentos, não abre espaço para implicarmos em nossos incômodos a fim de nos responsabilizarmos pelo que nos acontece. Agimos impulsivamente, procurando não pensar. Para ela, a depressão é, justamente, uma reação a esta forma de não pensar em si mesmo, um misto de apatia e vazio de sentido, uma tristeza e uma reclusão em si mesmo, uma retirada dos investimentos no mundo e nas possibilidades de agir sobre ele.

O problema se torna ainda maior, segundo Luciana, pelo fato de a sociedadeentender esse descompasso como um fracasso individual, uma incapacidade da pessoa se fazer feliz diante de tantas alternativasque ela, sociedade, lhe oferece.“A pessoa acaba se fechando nas suas dores, culpando-se pelas suas frustrações e incapacidade de se adaptarou se alienando numa postura conformada de viver, sem se sentir em condições de reagir”, termina.

Como fazer frente a essa sensação de vazio?

Psicanalistas, psicólogos e psiquiatras têm se dedicado ao tratamento das depressões crônicas e das depressões graves, cada qual a sua maneira. A psicanálise busca ouvir as marcas de singularidade na história de cada um, aquilo que faz sentido para cada um, possibilitando à pessoa perceber que há um saber seu sobre como ela se sente bem e reconhecida por si mesmo. É a partir da construção deste saber sobre si que poderá haver mais chances de viabilizar alternativas próprias e promover escolhas que lhe sirvam e ponham em marcha seu desejo. O saber sobre como se fazer feliz é uma construção de cada um, não está pronto na prateleira para ser consumido imediatamente.

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