A fragilidade da memória

Entenda a doença de Alzheimer, que afeta milhões no mundo todo

Com o aumento da expectativa de vida, a população idosa vem crescendo significativamente em várias partes do mundo. Apesar de dados que demonstram melhora na qualidade de vida – incluindo o aspecto clínico – desses idosos, são raros os que não apresentam problemas de memória e de linguagem, alterações visuais, entre outros prejuízos de ordem física e cognitiva.

Afetando majoritariamente pessoas em idade avançada, a doença (ou mal) de Alzheimer é responsável pela perda de memória, comprometimento da capacidade motora, dificuldades no raciocínio e prejuízo dos julgamentos, além de outros sintomas que caracterizam a demência. Trata-se de uma doença progressiva em que as conexões das células do cérebro e as próprias células se degeneram e morrem, comprometendo diversas funções de nosso corpo.

Estima-se, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, que 35,6 milhões de pessoas sofram da doença no mundo. Número que deve dobrar até 2030, segundo projeção da entidade. Só no Brasil são cerca de 1,2 milhão de diagnosticados, número que pode aumentar em 100 mil a cada ano. Vale destacar que destes já diagnosticados, apenas metade se trata, muito por conta do desconhecimento e das informações erradas que circulam em relação a doença.

Quantas vezes você já ouviu um idoso com falta de memória sendo chamado de “esclerosado”, por exemplo? Classificação que pode se relacionar ao enrijecimento dos vasos cerebrais, estando ligada a outras doenças que não o Alzheimer, sequer é reconhecida pela medicina, além de carregar uma conotação muito preconceituosa em nossa língua.

Descobrindo o Alzheimer

Como explica Alberto Macedo Soares, especialista na área, em entrevista ao doutor Drauzio Varella, “tanto no prejuízo da memória associado à idade quanto na síndrome demencial, o déficit manifesta-se inicialmente para os fatos recentes”. Esses idosos vão se esquecendo dos recados, do número do telefone, do nome do vizinho e assim gradualmente.

Por isso, não se surpreenda se uma pessoa com Alzheimer lhe fizer inúmeras vezes a mesma pergunta ou se ela se esquecer do nome do neto, mas se lembrar de acontecimentos de sua própria infância nos anos 30. Assim, quanto antes forem percebidos esses sinais, mais cedo é possível iniciar o processo de intervenção. Ressaltando, porém, que não há cura para a doença, que deve ser tratada por equipe multidisciplinar, mas medicamentos e estratégias de controle podem melhorar os sintomas temporariamente.

Segundo especialistas, 20% a 30% dos casos de prejuízo da memória atribuído à idade podem ser manifestações iniciais de uma doença irreversível. No Brasil, ainda de acordo com Soares, os quadros demenciais mais frequentes são a doença de Alzheimer, os pequenos derrames cerebrais causados por microinfartos ou uma associação dessas duas enfermidades.

Geralmente, os microinfartos cerebrais são causados por obstruções ou entupimentos, pressão alta, níveis elevados de colesterol, fumo e diabetes – fatores que podem ser identificados e controlados na tentativa de impedir que continuem provocando pequenos acidentes cerebrais.

Prevenção e tratamento

Apesar do investimento pesado e contínuo na busca pela cura do Alzheimer, ainda há pouquíssimos medicamentos que tratam especificamente da doença – todos estão disponíveis no Brasil. Eles atuam na compensação de algumas deficiências no funcionamento cerebral, fortalecendo a capacidade cognitiva do indivíduo e melhorando eventuais alterações do comportamento, restabelecendo parcialmente a capacidade funcional desse paciente de maneira temporária, conforme explica Orestes Forlenza, professor e médico do Laboratório de Neurociências do Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo.

Esses tratamentos, porém, são apenas sintomáticos, pois não impedem a progressão da doença, com benefícios que não se sustentam por muito tempo causando deteriorações adicionais posteriormente.

Há, no entanto, segundo o médico e escritor Drauzio Varella, trabalhos que demonstram que quanto mais intelectualizadas as pessoas forem, quanto mais atividade física fizerem, mais rico for o universo em que vivem, menores serão os déficits de memória e mais lenta a evolução do caso. Por isso, a prevenção, praticando-se exercícios físicos e mentais, é sempre a melhor “arma”.

Há pesquisas, inclusive, que indicam que aprender uma nova língua pode retardar em até quatro anos o mal de Alzheimer. Isso porque ao falarem uma língua diferente da sua nativa, as pessoas estarão exercitando várias formas de linguagem e de memória. Muitos outros estudos ainda estão sendo feitos na área e novidades deverão surgir em breve. Inclusive buscando-se na natureza a cura para o problema – como a casca da romã, que já promoveu a melhoria da memória em animais; falta agora confirmar os resultados em seres humanos. 

Sinais do Alzheimer

Na cognição: declínio mental, dificuldade em pensar e compreender, confusão durante a noite, confusão mental, delírio, desorientação, esquecimento, invenção de coisas, dificuldade de concentração, incapacidade de criar novas memórias, incapacidade de fazer cálculos simples ou incapacidade de reconhecer coisas comuns
 

No comportamento: agitação, agressão, dificuldade de cuidar de si mesmo, irritabilidade, mudanças de personalidade, repetição sem sentido das próprias palavras, falta de moderação ou vagando e se perdendo

No humor: apatia, descontentamento geral, mudanças de humor, raiva ou solidão

Sintomas psicológicos: alucinação, depressão ou paranoia

No corpo: inquietação ou perda de apetite

Nos músculos: contrações musculares rítmicas ou incapacidade de combinar movimentos musculares

Também comum: desorientação topográfica, incontinência urinária, parafasia ou sintomas comportamentais

Fontes: Hospital Israelita A. Einstein e outros.

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