Meningite bacteriana

As estações mais frias aumentam a incidência da doença que é considerada um dos maiores riscos à saúde pública

No início de 2019 um assunto ganhou bastante destaque na mídia brasileira: o aumento no número de casos de meningite no país, colocando à saúde pública em alerta para uma possível nova epidemia da doença (a última ocorreu em 1970). Com a chegada das estações frias do ano, período mais comum para a incidência de meningites do tipo bacteriano, como a meningocócica e a pneumocócica - consideradas as formas mais graves da doença -, o problema volta a estar em evidência, levantando mais uma vez um sinal de alerta.


Mas, afinal, o que é essa doença que pode levar à morte dentro de até 48 horas após o início dos sintomas? Primeiro é preciso entender que há diferentes tipos de meningite. O problema é causado por bactérias, fungos ou vírus que atingem as meninges provocando um processo inflamatório dessas membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Só no ano passado foram registrados 7873 casos de meningites virais, resultando em 93 mortes, e 2006 de meningites bacterianas, levando 311 pessoas à óbito. Isso, claro, entre os casos com diagnósticos formais e sem contar as meningites do tipo fúngico.

 

“Do ponto de vista clínico, as meningites causadas por bactérias são as mais graves entre as doenças imunopreveníveis que causam preocupação à saúde pública. Isso devido a sua magnitude, gravidade e potencial de ocasionar surtos e epidemias. Já as meningites virais podem se expressar por meio de surtos, porém, com menor gravidade”, explica Jessé Alves, médico infectologista e gerente médico de vacinas da GSK.

 

“Se não tratada adequadamente, a meningite bacteriana pode ser fatal em cerca de 50% dos casos. Resultando, ainda, em danos cerebrais, perda auditiva e diversos outros tipos de incapacidades físicas aos sobreviventes. Aliás, mesmo quando a doença é diagnosticada precocemente e o tratamento adequado é iniciado, 8% a 15% dos pacientes vão à óbito em até dois dias”, continua o especialista.

 

Tipos de meningite causadas por bactérias

 

A meningite bacteriana pode ser transmitida de uma pessoa para outra por meio do contato direto com gotículas respiratórias através de tosse, espirro e beijo, por exemplo. Aliás, aproximadamente 10% dos adolescentes e adultos possuem a bactéria na orofaringe (“garganta”) e podem transmiti-la mesmo sem adoecer – são os chamados portadores assintomáticos.

 

No caso da meningocócica, a bactéria Neisseria meningitidis (ou meningococo) cai na corrente sanguínea e promove a liberação de fatores inflamatórios. Isso faz com que os vasos dilatem, podendo causar manchas arroxeadas e dores pelo corpo, calafrio, diarreia, fadiga, mãos e pés frios, até a queda da pressão arterial e a taquicardia, levando, em alguns casos, imediatamente ao óbito.

 

Já na pneumocócica, a também bactéria Streptococcus pneumoniae (ou pneumococo) é transportada pelo sangue até o cérebro, onde gera uma forte reação inflamatória. Os sintomas são basicamente os mesmos das demais meningites, porém, há risco de importantes consequências neurológicas, tais como dificuldades para andar e falar.

 

Transmissão, tratamento e prevenção

 

Tendo como sintomas iniciais febre, irritabilidade, dor de cabeça, perda de apetite, náusea e vômito, a meningite pode facilmente ser confundida com outra doença infecciosa. Na sequência, porém, se a pessoa vir a apresentar pequenas manchas violáceas (arroxeadas) na pele, rigidez na nuca e sensibilidade à luz corra para um hospital. Como explica o infectologista Jessé Alves, “se não for rapidamente tratado, o quadro pode ter rápida e abrupta evolução, culminando em confusão mental, convulsão, sepse e choque até a falência múltipla de órgãos e risco de óbito”.

 

O diagnóstico das meningites é feito por meio de exames de sangue e líquido cerebroespinhal (líquor), que determinarão o tipo da doença e, com isso, a conduta que será adotada pelos médicos. No caso das bacterianas, o tratamento é feito com antibióticos, associados ou não a corticoides, de 7 a 14 dias. A internação normalmente é necessária.

 

Quando o assunto é prevenção, no entanto, a vacinação é considerada a forma mais eficaz contra a doença. As disponíveis no calendário de vacinação do Programa Nacional de Imunização (PNI) são: meningocócica conjugada sorogrupo C, pneumocócica 10-valente (conjugada), pentavalente e BCG. De acordo com Juarez Cunha, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, além das vacinas disponíveis na rede pública há também imunizações na rede privada, para os tipos meningocócica B e meningocócica conjugada ACWY.

 

Além desta proteção, em entrevista ao Portal G1, o médico aconselha que evitemos passar muito tempo em ambientes fechados e cheios de pessoas. Bem como recomenda mantermos, sempre que possível, a casa e o local de trabalho bem ventilados, inclusive no inverno, e, claro, uma boa higiene pessoal.

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